O Brasil registrou em 2025 o maior número de feminicídios da série histórica, com aumento de 347% frente ao período anterior. O salto reacende a cobrança por políticas de segurança e acolhimento mais efetivas em Goiás, onde a estrutura de atendimento ainda apresenta lacunas.
Segundo reportagem do Jornal Opção, o indicador consolidado aponta para um agravamento da violência letal contra mulheres em todo o território nacional. O volume de casos supera qualquer marca anterior desde que o crime passou a ser tipificado em 2015.
Em Goiás, a rede de delegacias especializadas e de casas de abrigo não acompanhou o ritmo da demanda. Entidades que atuam na ponta relatam filas para medidas protetivas e escassez de vagas em acolhimento emergencial, sobretudo no interior do estado.
O governo estadual anunciou no primeiro semestre a ampliação do programa "Mulher Segura" e a criação de duas novas unidades de atendimento integrado na região metropolitana. A implementação, porém, depende de repasses federais e de concursos para recompor quadros da Polícia Civil e do Ministério Público.
Pesquisadores da área de segurança pública alertam que o crescimento dos números reflete tanto a maior visibilidade do crime quanto a persistência de fatores estruturais: dependência financeira, cultura de impunidade e subnotificação em municípios menores.
Enquanto o país debate endurecimento de penas e protocolos de investigação, a urgência em Goiás passa por garantir que a estrutura de proteção chegue a todas as mulheres antes que o próximo caso vire estatística.