Na eleição para a Câmara dos Deputados, celebridades como Tiririca (PSD-CE) não conseguiram se reeleger, enquanto candidatos identificados como 'políticos influencers', entre eles Nikolas Ferreira (PL-MG), Lucas Pavanato (PL-SP) e Erika Hilton (PSOL-SP), obtiveram votações recordes. A tendência mostra perda de espaço de famosos tradicionais para perfis com forte atuação em redes sociais.
O cenário reflete uma mudança no perfil dos eleitores, que passaram a valorizar a conexão direta via plataformas digitais em vez do reconhecimento midiático tradicional. Dados do Tribunal Superior Eleitoral mostram que candidatos com milhões de seguidores nas redes conseguiram traduzir esse engajamento em votos expressivos, muitas vezes superando postulantes com maior tempo de televisão e estrutura partidária consolidada.
A eleição de 2022 consolidou o fenômeno: Nikolas Ferreira, por exemplo, eleva o número de seguidores no Instagram para mais de 3 milhões e obteve votação expressiva em Minas Gerais, enquanto Lucas Pavanato, conhecido por seu conteúdo polêmico no YouTube, também garantiu vaga na Casa baiana. Do outro lado do espectro político, Erika Hilton (PSOL-SP) tornou-se uma das parlamentares mais votadas da história de São Paulo, demonstrando que a influência digital transcende linhas ideológicas.
A comparação entre o desempenho de candidatos goianos e o padrão nacional revela pontos de convergência e divergência no estado. Em Goiás, a eleição para a Assembleia Legislativa e para a Câmara mostrou que perfis com forte presença em redes sociais conseguiram eleger candidatos que antes teriam dificuldade em obter registro partidário, embora o eleitorado goiano ainda mantenha certa resistência à substituição total de nomes tradicionais por perfis puramente digitais.
Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que a mudança de comportamento eleitoral reflete a migração do eleitor mais jovem, que consome notícias e se mobiliza por hashtags e stories, deixando de lado o voto de protesto ou de nome conhecido baseado apenas em aparições televisivas. A tendência, segundo analistas políticos, tende a se acirrar nas próximas eleições, exigindo dos partidos tradicionais uma reestruturação de como se comunicam com o eleitorado.
O resultado das urnas de 2022 indica que a popularidade em redes sociais deixou de ser um diferencial para se tornar um requisito mínimo para candidatos que buscam vagas no Congresso Nacional.