Uma família francesa reside há gerações no Castelo de Bienassis, uma fortaleza do século 12 no norte da França, mantendo estruturas originais como muralhas, salões medievais e capela. O caso raro de vida contemporânea em patrimônio histórico foi destaque na TV Globo em abril de 2024 e levanta questionamentos sobre a preservação de imóveis antigos no Brasil.
O Castelo de Bienassis, classificado como monumento histórico pela França desde 1975, abriga atualmente quatro membros da família Huguet, que convivem com os espaços originais sem perder a funcionalidade moderna. A manutenção do imóvel exige esforço contínuo, mas a família prioriza a preservação de elementos arquitetônicos autênticos, como vigas de madeira, janelas góticas e pavimentos de pedra, evitando reformas que comprometam sua integridade histórica.
Segundo o G1, a moradia foi apresentada na série 'Quem Vive Ali?', do Fantástico, como exemplo único de como um patrimônio milenar pode ser vivido sem se transformar em museu. A família não abre o castelo para turistas, mas mantém sua história viva por meio da rotina diária — um contraste com a realidade de muitos imóveis históricos no Brasil, que são abandonados ou demolidos por falta de incentivos.
Na França, proprietários de imóveis classificados como patrimônio recebem subsídios estatais e benefícios fiscais para restauração, além de acesso a técnicos especializados. Essa política pública garante que a preservação não seja apenas responsabilidade individual, mas um compromisso coletivo. Já no Brasil, a maioria dos imóveis históricos de Goiânia e Goiás depende da iniciativa privada, sem apoio estrutural significativo.
Em Goiânia, dezenas de casas do século XIX e início do XX — muitas delas com fachadas em estilo neoclássico e azulejos importados — enfrentam risco de desaparecimento por falta de manutenção ou especulação imobiliária. A experiência francesa sugere que, com políticas públicas adequadas, moradores de imóveis antigos poderiam ser parceiros na preservação, não apenas guardiões isolados de um passado em ruínas.
A vida no Castelo de Bienassis demonstra que preservar o patrimônio não exige abandonar a modernidade — apenas compromisso e suporte. Para Goiás, a lição é clara: imóveis históricos só sobrevivem se forem valorizados como moradias, não como relicários.