A família de uma cuidadora atropelada por um adolescente que dirigia sob efeito de álcool em Goiânia autorizou a doação dos órgãos da vítima. O acidente ocorreu na capital goiana e o menor foi apreendido pela Polícia Civil. A decisão da família pode salvar até oito vidas que aguardam na fila de transplantes.
Segundo reportagem do G1, o atropelamento aconteceu quando a cuidadora atravessava uma via da cidade. O condutor, menor de idade, apresentava sinais de embriaguez e foi encaminhado à delegacia especializada. A Polícia Civil de Goiás instaurou inquérito para apurar as circunstâncias do crime de trânsito.
Após a confirmação da morte encefálica, a equipe da Secretaria de Saúde de Goiás acionou a central de transplantes do estado. A família, em meio ao luto, consentiu com a captação de coração, fígado, rins e córneas. O procedimento foi realizado no Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol).
Dados da Secretaria de Segurança Pública indicam que, apenas no primeiro semestre deste ano, Goiânia registrou mais de 200 acidentes com vítimas fatais envolvendo condutores sob influência de álcool ou drogas. O número representa alta de 12% em relação ao mesmo período de 2025. Especialistas em trânsito defendem fiscalização mais rigorosa e penas mais duras para menores que dirigem embriagados.
A Central de Transplantes de Goiás informa que há atualmente 1.342 pessoas na fila por um órgão no estado. Cada doador pode atender a até oito receptores. A coordenadora do órgão, médica nefrologista, destaca que a recusa familiar ainda é o principal obstáculo: cerca de 40% das famílias não autorizam a doação mesmo quando a vítima manifestou vontade em vida.
O caso expõe a tragédia dupla do trânsito violento e da escassez de órgãos, ao mesmo tempo em que mostra como uma decisão solidária pode transformar luto em esperança para quem espera na fila.