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Brasil

Ex-governador cassado de Roraima reavalia candidatura e mira Senado ou Câmara

Edilson Damião, afastado por compra de votos, busca retorno político em eleições de outubro enquanto Goiás observa padrões similares

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Redação Biscoitei
11 de julho de 2026, 02:43 2 min de leitura
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Ex-governador cassado de Roraima reavalia candidatura e mira Senado ou Câmara
Foto: Reprodução/og:image

Edilson Damião, ex-governador de Roraima cassado em 2022 por crime eleitoral, anunciou que reavalia sua pretensão de disputar o governo estadual e considera concorrer ao Senado Federal ou à Câmara dos Deputados nas eleições de outubro. A decisão ocorre em meio a crescentes questionamentos sobre a eficácia da Justiça Eleitoral na exclusão de figuras envolvidas em práticas ilícitas.

Damião, que governou Roraima por apenas 34 dias em 2022 antes de ser afastado pela Justiça Eleitoral, foi condenado por compra de votos e abuso de poder econômico. Apesar da cassação, ele mantém influência política no estado e segue filiado ao União Brasil. Sua possível volta às eleições gera controvérsia entre observadores que apontam para uma tendência de reingresso de políticos cassados no cenário nacional.

Segundo o G1, Damião afirmou que a cassação não o afastou do compromisso com a política e que agora avalia candidaturas mais viáveis, como as federais. Ele já foi deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa de Roraima antes da perda do mandato, o que lhe confere estrutura partidária e reconhecimento eleitoral. A retomada de sua trajetória política ocorre mesmo sem que ele tenha cumprido sanções complementares previstas pela legislação eleitoral.

O caso de Damião se assemelha a outros no Brasil, como o de João Aparecido, ex-vereador de Goiânia, que também enfrenta processos eleitorais e busca retornar ao poder. Essa repetição levanta dúvidas sobre a eficácia da fiscalização da Justiça Eleitoral e sobre a percepção do eleitorado, que, em muitos casos, mantém apoio a figuras envolvidas em irregularidades. A ausência de barreiras concretas para candidaturas de cassados fragiliza a credibilidade do sistema eleitoral.

Em Goiás, o fenômeno de políticos cassados tentando retornar ao cenário eleitoral gera preocupação entre especialistas em ética política. Embora a legislação proíba candidaturas de pessoas condenadas por crimes eleitorais em sentença transitada em julgado, muitos conseguem se candidatar por meio de recursos ou por não terem condenações definitivas. Isso cria um vácuo que permite a continuidade de práticas que deslegitimam o processo democrático.

A reavaliação de Edilson Damião reflete um desafio mais amplo da democracia brasileira: a dificuldade de afastar definitivamente figuras envolvidas em práticas ilícitas do jogo político. A resposta da Justiça Eleitoral e da sociedade será decisiva para evitar a normalização da impunidade.

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