O governo dos Estados Unidos estuda impor novas sanções ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, segundo reportagem do Financial Times publicada neste domingo. Fontes ouvidas pelo jornal britânico afirmam que as medidas seriam fundamentadas na lei Magnitsky, instrumento usado para punir violações de direitos humanos e corrupção.
A informação surge cerca de um ano após Washington aplicar sanções semelhantes contra o magistrado, em julho de 2025, em resposta à atuação dele no processo que levou à condenação e prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. Na ocasião, o Departamento do Tesouro americano incluiu Moraes em lista de pessoas sujeitas a bloqueio de ativos e restrição de vistos.
O Financial Times não detalhou quais seriam as novas medidas nem indicou prazo para uma eventual decisão. A reportagem aponta, contudo, que as discussões ocorrem em meio a tensões crescentes entre autoridades brasileiras e norte-americanas em torno da independência do Judiciário brasileiro.
Especialistas em direito internacional observam que a reiteração de sanções baseadas na lei Magnitsky sinaliza disposição dos EUA em manter pressão diplomática sobre integrantes do STF, o que pode afetar a cooperação bilateral em áreas como comércio, segurança e tecnologia.
A lei Magnitsky, aprovada em 2012, permite ao governo americano punir agentes estrangeiros acusados de violações graves de direitos humanos ou atos de corrupção significativa. Sua aplicação a um ministro da mais alta corte de um país aliado é considerada rara e reflete o nível de atrito nas relações diplomáticas atuais.
O episódio reforça a complexidade do diálogo entre Brasília e Washington, com possíveis reflexos na percepção de risco institucional do Brasil perante investidores internacionais.