Forças americanas intensificaram ataques a alvos iranianos pelo nono dia consecutivo, enquanto autoridades de Teerã relatam explosões em dois petroleiros que ficaram imobilizados na região do Estreito de Ormuz. O Irã afirma ter revidado contra bases dos EUA, num ciclo de retaliações que amplia o temor de interrupção no abastecimento global de petróleo.
Segundo reportagem da CNN Brasil, os confrontos diretos entre as duas potências militares entraram em nova fase com danos a embarcações comerciais, o que eleva o risco logístico numa rota por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo. Analistas de mercado já projetam volatilidade nos preços do barril nas próximas sessões.
O Estreito de Ormuz, passagem estreita entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, concentra o escoamento de grandes produtores como Arábia Saudita, Iraque e Emirados Árabes. Qualquer bloqueio parcial ou atraso no tráfego de petroleiros repercute em cadeias de suprimento de derivados em economias importadoras, entre elas o Brasil.
Historicamente, picos de tensão no Oriente Médio provocam alta imediata no petróleo tipo Brent, referência para o preço dos combustíveis no mercado doméstico. A Petrobras adota política de paridade de importação, o que significa que variações externas costumam ser repassadas ao consumidor final em semanas.
No setor agrícola goiano, que depende de diesel para colheita e transporte da safra, a expectativa é de monitoramento diário das cotações. Entidades do agronegócio acompanham o cenário externo, mas ainda não há sinalização de desabastecimento interno nem de reajuste oficial nas refinarias nacionais.
A escalada militar mantém os mercados em alerta e pode refletir no bolso do consumidor brasileiro nas próximas semanas, caso o conflito persista e afete a oferta global de petróleo.