Um estudo publicado na revista Nature Ecology and Evolution revela que a grande maioria das espécies de borboletas no mundo expandiu suas áreas de ocorrência nas últimas décadas. A pesquisa associa o fenômeno diretamente ao aumento de eventos climáticos extremos, como secas prolongadas e ondas de calor intensas.
O trabalho analisou dados globais de distribuição de borboletas e concluiu que 80% das espécies registraram ampliação de suas áreas geográficas, segundo reportagem do G1. Os autores explicam que esses deslocamentos funcionam como refúgios climáticos: os insetos buscam regiões onde as condições de temperatura e umidade ainda permitem sua sobrevivência e reprodução.
Eventos extremos foram identificados como o principal motor desse movimento. Secas severas e picos de calor forçam populações a deixar áreas que se tornaram inóspitas, enquanto chuvas atípicas ou invernos mais brandos abrem novas fronteiras antes inviáveis. O padrão aparece em diferentes continentes e biomas, sugerindo resposta generalizada à mudança do clima.
Borboletas são consideradas bioindicadores sensíveis por dependerem de plantas hospedeiras específicas e de janelas climáticas estreitas para completar seu ciclo de vida. O deslocamento em massa pode desestruturar interações ecológicas, como polinização e controle natural de pragas, com efeitos em cascata sobre agricultura e ecossistemas nativos.
Estudos anteriores com aves, mamíferos e plantas já haviam documentado deslocamentos polares e altitudinais semelhantes. A novidade está na magnitude: a proporção de 80% entre borboletas supera a média observada em outros grupos, o que reforça a vulnerabilidade particular dos insetos às variações climáticas rápidas.
A pesquisa amplia a evidência de que a fauna global já está se reorganizando geograficamente em resposta ao aquecimento. Monitorar esses movimentos será essencial para definir áreas prioritárias de conservação nas próximas décadas.