Cientistas da Universidade Stanford publicaram na revista Science um estudo que demonstra recuperação de corais branqueados após contato direto com espécimes saudáveis. O experimento em laboratório mostrou melhora visível em poucas semanas sem necessidade de intervenção cirúrgica.
O experimento realizado em ambiente controlado demonstrou que corais debilitados pelo branqueamento recuperaram coloração e vitalidade após contato direto com corais saudáveis da mesma espécie. Segundo reportagem do G1, os pesquisadores observaram a recuperação gradual ao longo de alguns dias, com os espécimes anteriormente afetados retomando processos de fotossíntese e crescimento.
O estudo, publicado em 14 de agosto de 2024 na revista Science, indicou que o mecanismo de recuperação envolve transferência de simbiontes algais benéficos entre os corais durante o contato físico. Os pesquisadores da Stanford destacaram que o processo ocorre naturalmente e não requer equipamentos especiais ou procedimentos médicos, o que representa avanço significativo para entender mecanismos de resiliência coral.
Embora o experimento tenha sido conduzido em laboratório, os resultados abrem caminho para futuras aplicações em projetos de restauração de recifes brasileiros. Recifes como Abrolhos e Fernando de Noronha, que sofrem com eventos de branqueamento frequentes, poderiam se beneficiar de técnicas baseadas neste descobrimento para acelerar processos de recuperação natural.
A pesquisa também contribui para o entendimento de como comunidades de corais se organizam para sobreviver a eventos de estresse ambiental. Os cientistas observaram que a proximidade entre espécimes saudáveis e afetados foi fator crucial para o sucesso da recuperação, sugerindo que a estrutura das comunidades de recifes desempenha papel importante na resiliência ecológica.
O estudo da Stanford oferece nova perspectiva sobre a capacidade de recuperação de ecossistemas de recifes, com potencial de orientar estratégias de conservação para destinos brasileiros como Abrolhos e Fernando de Noronha.