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Brasil

Esquema de Cunha expõe riscos em emendas parlamentares em Goiânia

PF descobriu burla de R$ 6 mi na Câmara; cidade recebe milhões anuais sem controle eficaz

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Redação Biscoitei
12 de julho de 2026, 16:47 2 min de leitura
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Esquema de Cunha expõe riscos em emendas parlamentares em Goiânia
Foto: Reprodução/og:image

A Polícia Federal revelou que ex-deputado Eduardo Cunha manipulou o sistema de emendas parlamentares para direcionar recursos a um político sem mandato, por meio de mensagens com a servidora Mariângela Fialek. O esquema, bloqueado pela Justiça em 2017, envolveu R$ 6 milhões e é um dos casos mais emblemáticos de desvio de recursos públicos na Câmara dos Deputados.

Segundo o G1, as mensagens entre Cunha e a servidora mostram como eram feitas alterações fraudulentas no sistema de indicação de emendas, com a inclusão de projetos fictícios e a alteração de beneficiários. O objetivo era contornar regras que impediam a destinação de verbas a políticos sem mandato, criando uma via paralela para desviar recursos públicos. A operação foi descoberta durante a investigação da Lava Jato, que apurou uma rede de corrupção sistêmica na Casa.

Conforme apurou o G1, o caso expõe falhas estruturais no controle de emendas parlamentares — práticas que, embora não sejam ilegais por si só, carecem de transparência e fiscalização. Em Goiânia, onde deputados federais destinam centenas de milhões de reais em emendas anuais, a ausência de mecanismos eficazes de rastreamento permite que interesses privados se aproveitem da opacidade. Muitos projetos aprovados não são acompanhados após a liberação dos recursos, dificultando a verificação de sua efetividade.

De acordo com G1, esse tipo de esquema já foi denunciado em outros estados, mas o caso de Cunha foi um dos primeiros a ser comprovado com provas documentais e gravações. A manipulação do sistema foi tão sofisticada que envolvia a reclassificação de emendas de um parlamentar para outro, mesmo que este não tivesse mais mandato. A Justiça chegou a bloquear os valores suspeitos, mas a maioria dos casos semelhantes nunca chegou a ser investigada.

Em Goiás, a falta de transparência nas emendas federais é tema recorrente na Câmara Municipal e na Assembleia Legislativa. Cidades como Goiânia, Anápolis e Rio Verde recebem anualmente mais de R$ 200 milhões em emendas, mas apenas uma pequena parcela é acompanhada por conselhos populares ou plataformas digitais acessíveis ao cidadão. A ausência de um sistema público e aberto de rastreamento facilita a possibilidade de fraudes, mesmo que não sejam tão elaboradas quanto a de Cunha.

O caso de Cunha serve de alerta para a necessidade urgente de modernização e transparência nas emendas parlamentares, especialmente em municípios que dependem desses recursos. Sem controle efetivo, o dinheiro público continua vulnerável a manipulações.

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