Um empresário de Pirenópolis foi indiciado pela Polícia Civil por lesão corporal gravíssima, violência psicológica e dano após agredir uma mulher em situação de rua em 15 de março de 2024. A vítima, que sofreu trauma abdominal resultando na remoção cirúrgica do baço, foi socorrida pelo Hospital Regional da cidade e permanece em recuperação.
O inquérito policial, concluído em 2 de abril, apontou que o suspeito, cujo nome não foi divulgado, mantinha um histórico de ameaças e agressões sistemáticas contra a mulher, que vivia nas ruas da cidade histórica. A detenção ocorreu em flagrante após denúncias de moradores que testemunharam os episódios. A Polícia Civil considerou o caso como exemplo de impunidade reforçada por poder econômico, já que o suspeito é proprietário de uma empresa de serviços urbanos na região.
Segundo o Mais Goiás, o laudo médico confirmou que o trauma abdominal foi tão grave que exigiu esplenectomia — remoção do baço —, procedimento que coloca a vítima em risco permanente de infecções. O relatório também detalhou padrões de violência psicológica contínua, incluindo isolamento, humilhações e controle de acesso a alimentos e abrigo, características que enquadram o caso como violência doméstica em contexto de rua.
Conforme apurou o Mais Goiás, casos como esse são raros em cidades pequenas de Goiás, mas revelam uma realidade silenciosa: mulheres em situação de rua são frequentemente invisibilizadas e expostas a violências sem proteção estatal. Pirenópolis, apesar de ser um polo turístico com infraestrutura urbana, não possui abrigos específicos para mulheres vítimas de violência, nem equipes de acolhimento especializadas.
Em Goiânia, onde 1.200 pessoas vivem nas ruas segundo dados da Prefeitura de 2023, a ausência de políticas públicas integradas para acolhimento de mulheres vulneráveis aumenta o risco de repetição de casos como o de Pirenópolis. A falta de atenção das autoridades locais a esse grupo expõe uma lacuna crítica na segurança pública estadual, especialmente em cidades com perfil histórico e turístico, onde a pobreza é ocultada sob a fachada de preservação cultural.
O caso reforça a urgência de políticas públicas voltadas à proteção de mulheres em situação de rua, não apenas em grandes centros, mas também em cidades históricas onde a vulnerabilidade é silenciada pela invisibilidade social.