O debate eleitoral em Goiás ganhou contorno técnico nas últimas semanas com a defesa de mais recursos para infraestrutura, logística e inovação. Reportagem do Google News Goiás revela que entidades empresariais e órgãos de fomento cobram planos concretos dos candidatos ao governo estadual. O foco recai sobre gargalos que travam a expansão econômica nas regiões metropolitanas.
Levantamento do Sebrae Goiás e da Fecomércio GO indica que a malha viária defasada e a baixa oferta de crédito para inovação tecnológica estão entre os principais entraves para micro e pequenas empresas. O Banco do Nordeste aponta que a modernização de terminais logísticos no entorno de Goiânia poderia reduzir em até 15% o custo de escoamento da produção agroindustrial. Esses dados embasam o documento entregue aos postulantes ao Palácio das Esmeraldas.
O Tribunal Regional Eleitoral de Goiás confirmou que todas as chapas registradas apresentaram planos de governo com capítulos dedicados a desenvolvimento econômico, mas a profundidade das propostas varia. Enquanto algumas coligações detalham metas de investimento em banda larga rural e parques tecnológicos, outras limitam-se a menções genéricas sobre melhoria da infraestrutura sem cronograma orçamentário. A diferença aparece nos debates televisionados e nas sabatinas promovidas por entidades de classe.
Em 2022, o estado aplicou 1,8% da receita corrente líquida em infraestrutura, percentual abaixo da média nacional de 2,3% registrada pelo Tesouro Nacional. A defasagem acumulada reflete-se no Índice de Competitividade dos Estados, onde Goiás ocupa a 12ª posição em infraestrutura, apesar de figurar entre os cinco maiores PIBs do Centro-Oeste. Especialistas associam o gap à ausência de plano estadual de longo prazo.
Para a região metropolitana de Goiânia, que concentra 35% da população e 42% do PIB goiano, a promessa de duplicação da GO-020 e a implantação do VLT entre a capital e Aparecida de Goiânia aparecem como medidas de efeito imediato na mobilidade e na atração de centros de distribuição. O Sebrae estima que a regularização fundiária de polos industriais na BR-153 poderia liberar 2,3 mil hectares para novos empreendimentos nos próximos quatro anos.
O eleitor goiano terá nas urnas a chance de escolher entre projetos que priorizam o planejamento estruturado e propostas genéricas. A decisão definirá se o estado consegue transformar potencial logístico em desenvolvimento efetivo para os próximos ciclos.