O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) confirmou que o El Niño ganhou força desde junho no Pacífico Equatorial e deve manter chuvas intensas e temporais no estado paranaense pelo menos até o começo de 2027. Cientistas acompanham a possibilidade de um Super El Niño, classificação reservada aos episódios mais extremos já registrados.
O alerta foi divulgado em reportagem do G1 com base em boletins do Simepar, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e de pesquisadores da Universidade Federal do Paraná. Segundo os técnicos, o aquecimento anômalo das águas superficiais no Pacífico central e leste já reorganiza a circulação atmosférica sobre a América do Sul, favorecendo a formação de corredores de umidade que descarregam volumes elevados sobre o Sul do país.
Além do Paraná, o fenômeno altera padrões de precipitação e temperatura em outras regiões, entre elas o Centro-Oeste. Para o setor agrícola, a mudança no calendário de chuvas pode afetar o planejamento de plantio e colheita, exigir ajustes no manejo de solo e aumentar a necessidade de monitoramento de pragas favorecidas pela umidade persistente.
A hipótese de Super El Niño ganha força porque os índices de temperatura da superfície do mar superaram limiares observados em 1997-1998 e 2015-2016, dois dos eventos mais fortes do registro histórico. Se confirmado, o episódio pode ampliar a frequência de eventos extremos não apenas no Sul, mas também em áreas do Sudeste e do Centro-Oeste, com reflexos diretos na disponibilidade hídrica e na segurança alimentar.
Serviços de meteorologia como Climatempo e o próprio Inmet mantêm atualizações semanais de probabilidade de chuva forte, granizo e vendavais. A recomendação para produtores e gestores municipais é incorporar esses alertas nos planos de contingência, especialmente para drenagem urbana, estradas rurais e armazenagem de grãos.
O fortalecimento do El Niño impõe vigilância contínua nos próximos meses. A combinação de ciência de ponta e ação preventiva será decisiva para reduzir perdas materiais e proteger a produção de alimentos.