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Brasil

El Niño forte pode elevar preços de alimentos in natura em até 20%, aponta estudo

Rabobank projeta pico de alta em seis meses; carnes e hortaliças puxariam pressão inflacionária

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Redação Biscoitei
23 de agosto de 2026, 09:00 2 min de leitura
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El Niño forte pode elevar preços de alimentos in natura em até 20%, aponta estudo
Foto: Reprodução/og:image

Um modelo matemático do Rabobank indica que o atual ciclo do El Niño pode se tornar o mais intenso já registrado no Brasil, com potencial para elevar em até 19,9% o custo de itens como carnes e hortaliças. A projeção considera choques climáticos que afetam a produção agropecuária e cujo reflexo nos preços tende a atingir o pico seis meses depois.

Segundo reportagem do G1, o estudo cruzou séries históricas do fenômeno com dados de inflação do IBGE e do Banco Central para estimar o impacto nos preços ao consumidor. Em cenário de El Niño forte, a alta nos alimentos in natura pressionaria o índice geral de preços, dificultando o controle inflacionário.

A transmissão do choque climático para as gôndolas não é imediata. Pesquisadores explicam que secas ou chuvas excessivas reduzem a oferta no campo, mas o repasse ao varejo depende de estoques, logística e da capacidade de substituição de produtos. O intervalo de até meio ano entre o evento climático e o pico de preços dá margem para ajustes de política monetária.

Para as famílias, o efeito recai sobre itens de consumo diário e difícil substituição. Carnes, verduras e legumes respondem por fatia relevante da cesta de baixa renda, o que torna a alta desproporcionalmente mais pesada para quem ganha menos. Supermercados já monitoram a safra e negociam contratos de fornecimento para atenuar repasses.

O Banco Central acompanha a variável climática como fator de risco para a meta de inflação. Autoridades monetárias sinalizam que, se a pressão de alimentos se confirmar, a resposta pode envolver manutenção de juros elevados por mais tempo, com reflexos no crédito e no consumo.

O tamanho do impacto final dependerá da intensidade real do fenômeno e da resposta da oferta agrícola nos próximos meses.

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