Entre 3 e 5 de julho, a terceira edição da Pantanal Tech MS, em Aquidauana, apresentou avanços tecnológicos que estão transformando o agronegócio e o combate a incêndios no Mato Grosso do Sul. Drones e sistemas de inteligência artificial capazes de prever e detectar focos de queimadas em tempo real foram os destaques da feira, que reuniu mais de 150 expositores e profissionais da região.
As tecnologias exibidas na Pantanal Tech MS permitem monitorar lavouras com precisão milimétrica e identificar incêndios antes mesmo que eles se espalhem, reduzindo custos operacionais e aumentando a eficiência na resposta emergencial. Segundo o G1, sistemas de IA analisam imagens de satélite e câmeras termográficas instaladas em torres, gerando alertas automáticos com até 30 minutos de antecedência em relação aos métodos tradicionais de vigilância.
O impacto dessas soluções pode ser diretamente sentido em Goiás, onde 70% dos incêndios florestais ocorrem em áreas de produção agrícola, principalmente no Cerrado. Com uma fronteira agrícola extensa e sazonalidade semelhante à do Pantanal, o estado tem potencial para adotar essas mesmas ferramentas, especialmente em municípios como Rio Verde, Jataí e Ceres, onde os focos de queimadas são recorrentes entre julho e outubro.
A Embrapa Pantanal e startups locais desenvolveram os sistemas em parceria com universidades e órgãos ambientais, com foco em escalabilidade e baixo custo. De acordo com o G1, alguns modelos de drones já operam com autonomia de até 4 horas e transmitem dados em tempo real para plataformas digitais acessíveis até em áreas remotas — uma característica que pode ser replicada no interior goiano, onde a conectividade ainda é desafiadora.
A experiência de Mato Grosso do Sul também destaca a importância da integração entre produtores rurais, técnicos e autoridades. A Pantanal Tech MS não foi apenas uma feira de tecnologia, mas um espaço de capacitação e troca de práticas. Em Goiás, a ausência de eventos semelhantes de grande escala pode estar atrasando a adoção dessas soluções, mesmo com a urgência climática crescente.
As inovações apresentadas no Pantanal refletem um caminho viável para Goiás enfrentar o ciclo de queimadas com mais eficiência e menos perdas. A adoção dessas tecnologias pode não apenas proteger o Cerrado, mas também garantir a sustentabilidade da produção agrícola no estado.