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Brasil

Dono da Voepass é indiciado por desastre aéreo que matou 62 em Vinhedo

Polícia Federal aponta que José Luiz Felício Filho conhecia falhas na frota e incentivava omissão de problemas

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Redação Biscoitei
07 de agosto de 2026, 17:00 2 min de leitura
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Dono da Voepass é indiciado por desastre aéreo que matou 62 em Vinhedo
Foto: Reprodução/og:image

A Polícia Federal indiciou José Luiz Felício Filho, presidente e acionista majoritário da Voepass, por contribuição ao acidente do voo 2283 que causou 62 mortes em Vinhedo, no interior de São Paulo. A investigação concluiu que o empresário tinha ciência de irregularidades na manutenção da frota e fortaleceu uma cultura interna de não relatar falhas técnicas.

Segundo reportagem do G1, o inquérito aponta que Felício Filho era informado rotineiramente sobre defeitos recorrentes nas aeronaves, mas não determinou as correções necessárias nem suspendeu as operações enquanto os problemas persistiam. A omissão deliberada teria criado as condições para a queda do ATR-72 em agosto de 2024.

A apuração revela ainda que a diretoria da companhia pressionava equipes de manutenção e de voo a não registrar ocorrências em sistemas oficiais, prática que dificultava a fiscalização da Agência Nacional de Aviação Civil. Documentos apreendidos mostram trocas de mensagens em que gestores orientam a classificação de falhas graves como itens de rotina.

O desastre do voo 2283 é o mais letal da aviação comercial brasileira desde 2007. A aeronave perdeu altitude bruscamente após entrar em condição de estol durante a aproximação para pouso, caindo em área residencial de Vinhedo sem deixar sobreviventes entre passageiros e tripulação.

A Polícia Federal mantém a investigação aberta para identificar outros responsáveis, incluindo gestores intermediários e eventuais falhas de fiscalização. O Ministério Público Federal deve receber o relatório final nos próximos dias para decidir sobre a denúncia criminal.

O indiciamento do controlador da Voepass marca a primeira vez que um dono de companhia aérea responde criminalmente por acidente fatal no país, abrindo precedente para responsabilização de gestores que priorizam operação sobre segurança.

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