Em movimento que antecede o período oficial de desincompatibilização, o Comandante-geral da Polícia Militar do Tocantins, coronel Márcio Antônio Barbosa de Mendonça, e o Secretário Extraordinário de Ações Governamentais, Lázaro Botelho Martins, pediram exoneração de seus cargos nesta semana. As saídas, publicadas no Diário Oficial do estado, ocorrem antes do prazo legal de seis meses para que servidores públicos que pretendem concorrer às eleições de outubro se afastem de suas funções, conforme estabelecido pelo calendário eleitoral.
Mendonça exercia a máxima autoridade da corporação policial militar tocantinense, cargo de extrema relevância na segurança pública do estado. Botelho, por sua vez, atuava na Secretaria Executiva da Governadoria, responsável pela articulação de ações governamentais entre as diversas secretarias. Ambas as posições são consideradas de confiança e têm influência na administração estadual. As exonerações a pedido, segundo o G1, foram motivadas pelo alinhamento às normas eleitorais, evitando que os servidores utilizem seus cargos em benefício de eventuais campanhas.
A legislação eleitoral brasileira, por meio da Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997) e resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determina que ocupantes de cargos públicos que concorrerão a eleições devem se desincompatibilizar em prazos específicos. Para cargos como governador, vice-governador, prefeito e secretários municipais, o prazo é de seis meses antes do pleito. No caso de comandantes de forças de segurança, embora não haja obrigação legal explícita, a exoneração preventiva é comum para evitar questionamentos sobre o uso político da polícia. O período de desincompatibilização visa assegurar a igualdade de condições entre todos os candidatos e a lisura do processo democrático.
Esse cenário não é exclusivo do Tocantins. Em Goiás, gestores estaduais e municipais também se organizam para cumprir os prazos eleitorais. Na capital, Goiânia, a prefeitura tem implementado medidas administrativas que devem ser finalizadas antes do início do período eleitoral. Por exemplo, a instalação de novos redutores de velocidade em borracha em diversas vias, uma ação de trânsito que requer planejamento e execução antes da campanha, segundo reportagens do Google News Goiânia. Além disso, o Autódromo de Goiânia será fechado em abril para manutenção, com as corridas retornando apenas em maio, após as eleições, o que demonstra a preocupação em evitar eventos que possam gerar polêmica ou uso indevido de recursos públicos durante o pleito.
A antecipação das exonerações no Tocantins reflete uma postura proativa em relação às normas eleitorais. Se Mendonça e Botelho pretendem se candidatar, ao deixarem os cargos com antecedência, eliminam qualquer margem para dúvidas sobre sua conduta durante a campanha. Essa prática, quando observada de forma rigorosa, fortalece a credibilidade das instituições e a confiança da população no resultado das urnas. Em um contexto de crescente polarização política, o cumprimento estrito das regras de desincompatibilização é um contraponto essencial para a saúde da democracia. Tanto no Tocantins quanto em Goiás, as ações administrativas antes das eleições sinalizam um compromisso com a transparência e a igualdade no processo eleitoral.