Hospitais, clínicas, laboratórios e farmácias de Goiânia lidam diariamente com agulhas, medicamentos vencidos e materiais contaminados que não podem ir para o lixo comum. A legislação federal define regras claras para cada etapa do manejo, porém a aplicação prática nas unidades da capital revela falhas na estrutura de coleta e na fiscalização contínua.
A segregação na fonte é o ponto de partida: resíduos perfurocortantes, infectantes e químicos precisam de recipientes rígidos, identificados por cores, e armazenamento em áreas isoladas até a retirada por empresa licenciada. Segundo reportagem do G1, a CETES Ambiental, referência no estado, orienta que o cronograma de coleta deve respeitar a geração de cada estabelecimento para evitar acúmulo.
Na prática, unidades de menor porte relatam dificuldade para contratar transportadoras especializadas e manter áreas de armazenamento adequadas, sobretudo em imóveis antigos sem adaptação. A Vigilância Sanitária de Goiás atua na inspeção, mas a frequência das vistorias não cobre toda a rede de forma uniforme, o que abre espaço para descarte irregular em vias públicas ou redes de esgoto.
O tratamento final — geralmente por autoclavagem ou incineração — concentra-se em poucas instalações licenciadas, o que eleva o custo logístico para quem está fora do eixo central. Farmácias que recebem medicamentos vencidos da população dependem de programas de logística reversa que, muitas vezes, não têm capilaridade suficiente para atender a demanda de todos os bairros.
A Anvisa e o Ministério da Saúde atualizam periodicamente as resoluções que classificam os grupos de resíduos e definem responsabilidades de geradores e transportadores. O descumprimento sujeita a multas e interdições, mas a penalização costuma ocorrer após denúncias ou acidentes, não de forma preventiva.
Garantir o destino seguro desses materiais exige investimento em infraestrutura, ampliação da fiscalização de rotina e integração entre órgãos estaduais e municipais para que a norma saia do papel em toda a cadeia de geração.