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Brasil

Cuidados paliativos: o tabu da morte e a realidade em Goiânia

Especialista defende que falar sobre o fim da vida organiza o sofrimento; na capital, acesso a serviços ainda é limitado

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Redação Biscoitei
01 de abril de 2026, 23:08 2 min de leitura
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Cuidados paliativos: o tabu da morte e a realidade em Goiânia

Uma abordagem serena sobre a morte pode reorganizar o sofrimento de pacientes e familiares, segundo a paliativista Ana Cláudia Quintana Arantes, em entrevista ao G1. Com mais de 20 anos de experiência, ela alerta para a negligência do tema na sociedade. Para a médica, falar sobre o fim da vida não elimina a dor, mas estrutura o sofrimento. Em sua trajetória acompanhando pessoas com doenças graves, observa que a negação da morte agrava o luto e a ansiedade. Em seu livro, defende que 'a morte é um dia que vale a pena viver' e que uma conversa calma sobre o assunto pode transformar a experiência de todos os envolvidos.

A médica, que atua como embaixadora da Voa Health, critica a tendência social de evitar a discussão, conforme apurou o G1. Ela argumenta que a medicalização excessiva e a ausência de diálogo sobre os desejos do paciente levam a intervenções desnecessárias e sofrimento prolongado. A especialista reforça que os cuidados paliativos não interferem no momento da morte, mas garantem conforto e dignidade.

Em Goiânia, o acesso aos cuidados paliativos é considerado insuficiente por profissionais da área. Muitos pacientes só recebem esse apoio em estágios avançados da doença, o que limita o planejamento. A Sociedade Brasileira de Paliativos alerta para a necessidade de expandir a rede e capacitar equipes na região Centro-Oeste. A falta de diálogo aberto sobre o fim da vida, tanto no ambiente familiar quanto hospitalar, contribui para decisões precipitadas e sofrimento evitável.

Especialistas locais reforçam a importância de normalizar a conversa sobre a morte, seguindo a abordagem da médica paliativista. Avançar nessa discussão em Goiânia exige tanto políticas públicas quanto mudanças culturais, podendo significar menos sofrimento para pacientes e suas famílias nos momentos mais difíceis.

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