Goiás enfrenta grave subdimensionamento na oferta de cuidados paliativos, com serviços concentrados em Goiânia e escassez no Sistema Único de Saúde (SUS). Enquanto o Brasil tem apenas cerca de 200 unidades para 203 milhões de habitantes, o estado goiano reflete a desigualdade nacional, deixando pacientes com câncer e outras condições crônicas sem apoio adequado.
A rede de cuidados paliativos no Brasil é historicamente deficiente, com números que não acompanham a demanda. Dados do Ministério da Saúde apontam para pouco mais de 200 serviços cadastrados em todo o país, número considerado insuficiente por especialistas. Essa carência se acentua nas regiões fora dos grandes centros urbanos, onde a população depende principalmente do SUS.
Segundo o G1, o caso da jornalista Lucia Freitas, 60 anos, diagnosticada com câncer de mama metastático, demonstra o impacto positivo do acompanhamento paliativo. Mesmo em fase avançada, ela conseguiu melhorar sua qualidade de vida com suporte multidisciplinar, incluindo controle de dor e apoio psicológico. Esse exemplo contrasta com a realidade de muitos pacientes que não têm acesso a tais serviços.
A Associação Brasileira de Cuidados Paliativos alerta que a falta de estruturação e financiamento no SUS é um dos principais obstáculos para a universalização do acesso. Muitos estados, incluindo Goiás, ainda não possuem políticas públicas robustas para expandir a rede, dependendo de iniciativas pontuais e da rede privada.
Em Goiás, a distribuição geográfica dos serviços é desigual, com a maioria concentrada na capital. No interior, a carência de leitos especializados e de profissionais capacitados força pacientes a se deslocarem longas distâncias ou a renunciarem ao tratamento. A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia reconhece o desafio, mas não há dados públicos detalhados sobre a oferta no estado.
Especialistas locais enfatizam que a expansão dos cuidados paliativos não deve ser vista como sinônimo de abreviar a vida, mas como uma abordagem que complementa o tratamento oncológico e outras doenças crônicas. Para eles, a política pública precisa priorizar a formação de profissionais e a criação de leitos especializados no SUS. A falta de acesso, portanto, significa mais sofrimento desnecessário para milhares de goianos.
A igualdade no acesso aos cuidados paliativos em Goiás é uma questão de saúde pública urgente. Garantir que todos os pacientes, independentemente da região ou condição financeira, possam contar com esse apoio é fundamental para uma morte digna e uma vida com menos sofrimento.