Apesar de garantirem qualidade de vida a pacientes com doenças graves, os cuidados paliativos são inacessíveis para a maioria dos brasileiros. Em Goiás, a oferta no Sistema Único de Saúde (SUS) é limitada, com concentração de serviços na capital e escassez de profissionais capacitados. A reportagem investiga a rede no estado e os desafios para ampliar o acesso.
Os cuidados paliativos são uma abordagem multiprofissional que alivia o sofrimento de pacientes com doenças incuráveis, focando no conforto e na qualidade de vida. No Brasil, essa modalidade de cuidado ainda é um privilégio para poucos, com acesso desigual entre regiões e classes sociais. O caso da jornalista Lúcia Freitas, 60 anos, com câncer de mama metastático, ilustra como o suporte paliativo pode transformar a convivência com a doença, mas sua experiência não é a realidade da maioria.
Conforme apurou o G1, a rede de cuidados paliativos em Goiás reflete esse cenário nacional, com serviços concentrados em Goiânia e poucas unidades especializadas no interior. A reportagem visitou hospitais e conversou com profissionais para entender a estrutura disponível no estado.
No estado, o SUS oferece cuidados paliativos em alguns hospitais de referência, mas a demanda supera a capacidade. Especialistas da Associação Brasileira de Cuidados Paliativos (ABCP) alertam para a insuficiência de serviços em Goiás, com concentração na região metropolitana.
Entre os obstáculos estão a carência de médicos e enfermeiros com formação na área e a dificuldade no acesso a medicamentos específicos, como opioides, que têm distribuição restrita. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) destaca a necessidade de capacitação continuada e de políticas que facilitem a prescrição desses fármacos.
A política nacional de cuidados paliativos, instituída em 2018, ainda enfrenta barreiras de implementação, e em Goiás, a falta de investimentos agrava a situação. Enquanto pacientes em regiões mais desenvolvidas contam com suporte, no interior do estado, muitos ainda morrem sem acesso a cuidados que poderiam aliviar seu sofrimento.
A ampliação dos cuidados paliativos em Goiás depende de investimentos e políticas públicas focadas. Sem isso, a desigualdade no acesso continuará a condenar muitos a uma morte dolorosa ou a uma vida sem qualidade.