O Brasil completou sete dias sem embaixador em Buenos Aires após o chamado de Julio Bitelli a Brasília. O diplomata já realizou três reuniões com o ministro Mauro Vieira para tratar do episódio que motivou a medida: a presença do presidente argentino Javier Milei na convenção do PL que lançou a candidatura de Flávio Bolsonaro.
O gesto é considerado atípico na diplomacia sul-americana e sinaliza deterioração nas relações bilaterais. Segundo reportagem do G1, o recall ocorreu na segunda-feira passada e, desde então, Bitelli permanece na capital federal em tratativas com o Itamaraty.
A participação de Milei no evento partidário brasileiro foi lida como interferência indevida nos assuntos internos do país. A convenção do PL, realizada em São Paulo, oficializou Flávio Bolsonaro como pré-candidato à Presidência em 2026, com a presença do líder argentino como convidado de destaque.
Para Goiás, a tensão acende alerta no agronegócio. A Argentina é destino relevante da soja e da carne bovina produzidas no estado, e qualquer entrave diplomático pode dificultar fluxos comerciais, exigências sanitárias ou pagamentos, afetando a renda de produtores e indústrias locais.
Entidades do setor acompanham as conversas entre os chanceleres e avaliam que a manutenção de canais técnicos, independentemente da temperatura política, é essencial para evitar prejuízos na safra em andamento e nos contratos futuros.
Enquanto a diplomacia busca reverter o impasse, o agronegócio goiano segue atento aos desdobramentos que podem ditar o ritmo das exportações para o vizinho do sul.