O contrabando que cruza a fronteira entre Brasil e Paraguai movimenta cerca de R$ 60 bilhões por ano e se tornou motor financeiro para facções criminosas, segundo levantamento de órgãos federais e do escritório da ONU sobre drogas e crime.
A margem de lucro do comércio ilícito ultrapassa 500%, o que torna a atividade mais rentável que o tráfico de drogas em muitas rotas. Produtos como eletrônicos, cigarros, armas e agrotóxicos entram pelo Paraná e Mato Grosso do Sul e seguem para grandes centros urbanos por meio de redes logísticas controladas por grupos armados.
Segundo reportagem do Diário da Manhã, a Polícia Federal e a Receita Federal identificaram que as facções usam a receita do contrabando para comprar armamento pesado, corromper agentes públicos e expandir territórios de atuação. O Ministério da Justiça e Segurança Pública classifica a fronteira como ponto crítico para a segurança nacional.
O Congresso Nacional discute projetos que endurecem penas e criam mecanismos de rastreamento de mercadorias, mas a extensão da fronteira seca — mais de 1.300 quilômetros — dificulta a fiscalização contínua. A UNODC aponta que a integração entre polícias dos dois países ainda é incipiente.
O fluxo de recursos ilícitos fortalece estruturas paralelas de poder que competem com o Estado em regiões de fronteira. Isso se reflete no aumento de homicídios ligados a disputas de rota e na corrupção sistêmica de servidores que atuam em postos de controle aduaneiro.
O volume financeiro do contrabando transforma a fronteira em teatro de operações para o crime organizado, exigindo coordenação federativa e internacional que ainda não existe na prática.