A abertura da Avenida Sete de Setembro, nos anos 1910, provocou a demolição de centenas de imóveis históricos no Centro de Salvador, em prol da modernização. Em contraste com esse passado, atualmente a mesma região é um dos principais polos turísticos da cidade, gerando renda e empregos. A trajetória de Salvador, da destruição à restauração, evidencia uma mudança na valorização do patrimônio cultural, com impactos econômicos concretos.
No começo do século XX, a Prefeitura de Salvador executou uma ampla intervenção urbana para construir a Avenida Sete de Setembro, a primeira via de grande porte da cidade. A obra, símbolo da modernização da época, demandou a demolição de diversos casarões e sobrados coloniais no Centro, área que concentra a maior parte das riquezas do município. A velocidade das obras e a falta de sensibilidade histórica apagaram trechos significativos da memória arquitetônica da capital baiana.
Conforme apurou o G1, foi apenas nas décadas seguintes que a sociedade e o poder público começaram a rever esse processo, enxergando nos vestígios coloniais um potencial econômico. Estudos acadêmicos indicam que, a partir dos anos 1970, políticas de restauro e preservação ganharam força, transformando edifícios históricos em museus, hotéis e restaurantes.
Hoje, o Centro Histórico de Salvador, com seu conjunto barroco e colonial, é um dos principais destinos turísticos do Brasil, respondendo por uma parcela considerável da receita do setor na cidade.
Esse fenômeno não é exclusivo de Salvador. Em todo o mundo, centros urbanos que outrora destruíram seu passado arquitetônico buscaram, mais tarde, reconstruí-lo como ativo turístico. No Brasil, cidades como Ouro Preto e Olinda também vivenciaram essa trajetória, mas o caso soteropolitano é particular por combinar um vasto acervo colonial com uma forte identidade cultural afro-brasileira.
A experiência de Salvador chega como exemplo para Goiânia, que enfrenta pressões semelhantes sobre seu Centro Histórico, especialmente na Rua 14 e no Setor Central. Com a valorização imobiliária e projetos de renovação urbana, a capital goiana discute como equilibrar desenvolvimento e preservação.
Especialistas ouvidos pelo G1 sugerem que a valorização do patrimônio como produto turístico pode gerar emprego e renda, desde que haja planejamento e investimentos em infraestrutura. Salvador mostra que o patrimônio histórico, quando bem gerido, deixa de ser um fardo para se tornar uma engines de desenvolvimento local. Para Goiânia, a lição é clara: preservar a identidade pode ser a chave para um crescimento econômico sustentável.