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Como Glasgow saiu de capital de assassinatos da Europa para modelo de segurança

Estratégia de saúde pública aplicada a gangues reduziu homicídios em décadas e inspira gestores globais

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Redação Biscoitei
15 de outubro de 2026, 19:00 2 min de leitura
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Como Glasgow saiu de capital de assassinatos da Europa para modelo de segurança
Foto: Reprodução/og:image

A Escócia transformou Glasgow, antes considerada a capital de assassinatos da Europa, em uma das regiões mais seguras do continente através de uma abordagem que trata a violência como problema de saúde pública. A virada começou nos anos 2000 e ganhou marco em 2008, quando 85 integrantes de gangues rivais compareceram a uma audiência inédita no Tribunal do Xerife da cidade.

Entre 2003 e 2005, a taxa de homicídios em Glasgow superou a de qualquer outra cidade europeia. A zona leste concentrava confrontos entre grupos juvenis que disputavam território há gerações, com jovens armados de facas e garrafas. O cenário levou autoridades a declarar a violência como emergência de saúde, não apenas questão policial.

Segundo reportagem do G1, a audiência de 24 de outubro de 2008 reuniu membros de facções inimigas diante de um juiz, sem júri nem réus formais. O encontro marcou o início da Unidade de Redução da Violência (VRU), inspirada em modelo de Chicago, que passou a atuar com equipes multidisciplinares em escolas, prisões e serviços de emergência para interceptar ciclos de retaliação.

Dados do Governo Escocês mostram que os homicídios caíram mais de 60% entre 2005 e 2022. A Polícia da Escócia atribui a queda a intervenções precoces: mentoria para jovens em risco, apoio a famílias em crise e programas de emprego para ex-detentos. A lógica é a mesma usada no controle de doenças infecciosas: identificar vetores, interromper transmissão e tratar causas raiz.

O modelo escocês virou referência para cidades na América Latina e na África do Sul. Especialistas apontam que a chave foi a colaboração entre saúde, educação, assistência social e justiça criminal, com financiamento sustentado por governos sucessivos. A continuidade permitiu que a cultura de violência fosse desmontada geração a geração.

Para gestores de segurança pública no Brasil, a experiência demonstra que repressão isolada não resolve conflitos territoriais enraizados. A integração de políticas sociais com inteligência policial, mantida por longo prazo, produziu resultados que a Escócia sustenta há quase duas décadas.

A transformação de Glasgow prova que violência urbana extrema pode ser revertida com método, tempo e vontade política coordenada. O caso segue estudado como exemplo de política pública baseada em evidência.

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