Pesquisadores identificaram que células tumorais podem utilizar a glutationa, antioxidante natural produzido pelo fígado, como fonte de energia para proliferar. A descoberta, divulgada na revista Nature, abre novas possibilidades terapêuticas e teve a colaboração do cientista brasileiro Fabio Hecht.
O estudo, conduzido pelo Centro Médico da Universidade de Rochester, revelou que a quebra da glutationa no microambiente tumoral fornece substrato energético para as células cancerígenas. Esse processo, antes não descrito, indica que o próprio organismo pode, inadvertidamente, favorecer o crescimento do câncer ao fornecer um antioxidante essencial.
A pesquisa contou com a participação do brasileiro Fabio Hecht, especialista em metabolismo. Segundo o G1, Hecht ajudou a elucidar as vias bioquímicas envolvidas na decomposição da glutationa pelos tumores, um passo crucial para entender a vulnerabilidade explorável.
A descoberta se soma a décadas de estudos sobre o metabolismo alterado do câncer, como o efeito Warburg, que descreve a preferência das células tumorais pela glicólise anaeróbia. Agora, a atenção se volta para a manipulação de antioxidantes, tradicionalmente vistos como protectores, pelas neoplasias.
No estado de Goiás, centros de pesquisa como a UFG e o Hospital Araújo Jorge atuam em projetos de oncologia e metabolismo. A nova abordagem poderá inspirar investigações locais sobre terapias que bloqueiem a utilização tumoral da glutationa, ampliando o leque de opções de tratamento disponíveis na região.
Se validada em ensaios clínicos, a inibição da quebra da glutationa pode se tornar uma estratégia promissora para terapias contra o câncer mais direcionadas e com menos efeitos adversos.