Pular para o conteúdo
Publicidade
Brasil

Césio-137: como o tratamento das vítimas marcou Goiânia para sempre

Sobreviventes goianienses relembram o rigoroso isolamento e a estigmatização social após o acidente de 1987.

R
Redação Biscoitei
01 de abril de 2026, 20:16 2 min de leitura
Compartilhar:
Césio-137: como o tratamento das vítimas marcou Goiânia para sempre

Em setembro de 1987, Goiânia foi cenário do maior acidente radiológico do Brasil, quando um aparelho de radioterapia abandonado foi aberto no bairro Aeroporto. Cerca de 249 pessoas foram expostas ao Césio-137, e o tratamento emergencial, conduzido no Hospital das Clínicas da UFG, envolveu isolamento rigoroso e o uso do antídoto Prussian Blue. As marcas daquele episódio ainda ecoam nas ruas e na memória coletiva da cidade.

A operação de atendimento foi coordenada pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) com apoio da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA). No hospital, um protocolo de quarentena estrita isolou os contaminados para evitar propagação, enquanto casos mais graves eram transferidos para o Rio de Janeiro, onde havia centros especializados. A descontaminação física era constante, com roupas e objetos sendo descartados em recipientes blindados.

Conforme apurou o G1, relatos de sobreviventes revelam que o desafio não era apenas médico, mas também social. Muitos enfrentaram preconceito ao retornarem aos bairros como o Aeroporto, Campinas ou até o Centro, sendo tratados como 'pessoas perigosas'. A estigmatização gerou constrangimentos, como a recusa de vizinhos em compartilhar espaços públicos ou até mesmo o medo de tocar em objetos contaminados.

O acidente de Goiânia é frequentemente citado em comparações com Chernobyl, mas difere pela exposição localizada e pela resposta pública despreparada. A lição levou à revisão de normas de segurança radiológica em todo o país, com a criação de sistemas de vigilância mais eficazes. A experiência tornou-se um case estudado globalmente sobre gestão de crises nucleares em áreas urbanas.

Em Goiás, o episódio resultou em mudanças permanentes, como a fiscalização mais rigorosa de materiais radioivos e a inclusão do tema nos currículos escolares. Hoje, a memória do Césio-137 é preservada em documentos e nas conversas de quem viveu aquele setembro, inclusive em botecos do Setor Marista ou na Praça Cívica, servindo de alerta para novas gerações sobre os riscos da negligência.

O tratamento das vítimas do Césio-137 não só salvou vidas, mas também moldou a cultura de segurança nuclear em Goiânia e no Brasil, deixando um legado de vigilância que persiste nas políticas públicas e na memória coletiva.

Compartilhar: