O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu que a empresa Voepass, os pilotos da aeronave e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) falharam em suas responsabilidades no acidente que matou 62 pessoas. O relatório final aponta deficiências na gestão de risco, na operação de voo e na supervisão regulatória como fatores contribuintes.
Segundo reportagem do G1, a investigação do Cenipa detalha uma cadeia de falhas que envolve a cultura de segurança da companhia, a tomada de decisão da tripulação e a fiscalização exercida pela agência reguladora. O documento não atribui a causa a um único fator, mas à convergência de lacunas em diferentes níveis do sistema.
A gestão de risco da Voepass apresentou fragilidades na identificação e mitigação de perigos operacionais. Na operação de voo, foram verificadas falhas nos procedimentos e na conduta dos pilotos diante das condições adversas. Já a atuação da Anac mostrou lacunas na supervisão contínua da empresa e na exigência de correções tempestivas.
O acidente, ocorrido em agosto de 2024 no interior de São Paulo, resultou na morte de todos os 62 ocupantes da aeronave ATR-72. A divulgação do relatório final encerra a fase de investigação técnica e subsidia eventuais processos administrativos e judiciais, além de recomendações de segurança para evitar recorrência.
As lições do relatório servem de alerta para operadores que atendem a Goiás, incluindo empresas com base em Goiânia. A aplicação rigorosa de gestão de risco, a aderência a procedimentos padronizados e a fiscalização efetiva são pontos que a aviação regional deve incorporar para elevar o padrão de segurança nos voos que conectam o estado.
O relatório do Cenipa reforça que a segurança aérea depende da atuação coordenada entre empresas, tripulações e regulador, sem espaço para falhas em qualquer dos elos.