O caso do Banco Master, revelado em 2022, é considerado o maior esquema de lavagem de dinheiro e corrupção da história do Brasil, com R$ 1,2 bilhão desviados entre 2017 e 2021. O ex-diretor Daniel Vorcaro liderou um sistema de contratos fantasmas e propinas que envolveu ministros, deputados e juízes, segundo apuração do Ministério Público Federal e da Polícia Federal.
O esquema, batizado de 'Lava Jato 2.0' pela imprensa nacional, operava por meio de empresas de fachada que recebiam contratos públicos inexistentes, com recursos desviados para contas no exterior e pagamentos a agentes públicos. A operação envolveu mais de 47 pessoas indiciadas até maio de 2024, sem qualquer menção a membros das Forças Armadas nos documentos oficiais divulgados até o momento.
Segundo o Jornal Opção, investigações em andamento no Estado de Goiás buscam vincular empresas locais que atuaram em licitações estaduais e municipais com fornecedores citados no esquema do Banco Master. Ao menos três empresas goianas, registradas em Goiânia e Anápolis, aparecem em cruzamentos de dados com contratos suspeitos assinados por órgãos federais.
A complexidade do caso supera até mesmo a operação Lava Jato, pois o Banco Master atuava como um 'banco paralelo' para movimentar recursos ilícitos entre políticos de todos os níveis, sem a necessidade de intermediários tradicionais. A estrutura de lavagem incluía compra de bens de luxo, pagamento de serviços jurídicos falsos e transferências via criptomoedas, dificultando o rastreamento.
Em Goiás, a suspeita é de que empresas com vínculos a políticos locais tenham usado o mesmo modelo de contratos fantasmas para obter recursos de programas federais repassados ao estado. O Jornal Opção apurou que, em 2019, uma empresa de tecnologia com sede em Goiânia recebeu R$ 8,7 milhões de uma licitação federal cujo contrato foi posteriormente anulado por irregularidades — o mesmo tipo de contrato que alimentava o esquema do Master.
O caso do Banco Master não é apenas um escândalo federal: ele revela como redes de corrupção se estendem para os municípios, ameaçando a integridade das licitações públicas em todo o país, incluindo Goiás.