As exportações brasileiras de carne bovina para os Estados Unidos cresceram 524,3% em setembro de 2025 na comparação anual, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior. Apesar do salto mensal, o volume acumulado de janeiro a setembro ficou menor que no mesmo período de 2023, pressionado por sobretaxas impostas pelo governo americano. Restrições sanitárias também mantêm o mercado europeu fechado para o produto brasileiro desde o início de 2024.
O avanço expressivo em setembro reflete a reabertura de cotas de importação pelos Estados Unidos, mas não compensa a perda acumulada ao longo do ano. Segundo reportagem do G1, as sobretaxas aplicadas pelo governo norte-americano sobre produtos brasileiros limitaram o ritmo de embarques nos meses anteriores, puxando o total para baixo na comparação com 2023.
Além da barreira tarifária com os EUA, a pecuária brasileira segue impedida de acessar a União Europeia por exigências sanitárias não resolvidas. O bloqueio, em vigor desde janeiro de 2024, retira um destino tradicional de cortes nobres e obriga a indústria a redirecionar volumes para outros compradores, muitas vezes com margens menores.
Goiás responde por cerca de 30% do rebanho nacional e figura entre os principais fornecedores da indústria frigorífica. Cooperativas e produtores do estado têm ajustado a gestão de estoques e negociado contratos de longo prazo com importadores asiáticos e do Oriente Médio para reduzir a exposição a mercados sujeitos a medidas unilaterais.
Na prática, o produtor goiano convive com preços internos pressionados pela oferta represada e pela incerteza cambial. A diversificação de destinos, ainda em construção, aparece como única via para estabilizar a receita da cadeia produtiva diante de regras comerciais que mudam sem aviso prévio.
O cenário misto exige que a cadeia produtiva goiana mantenha estratégias de diversificação de destinos para reduzir a dependência de mercados com barreiras tarifárias e sanitárias.