Em 2012, em Garanhuns, Pernambuco, três indivíduos foram presos por assassinato, esquartejamento e canibalismo, usando corpos humanos como carne para salgados vendidos em feiras. O caso, que gerou comoção nacional, expõe vulnerabilidades na cadeia de fiscalização de alimentos em mercados informais — um risco que também existe em Goiânia, onde mais de 200 pontos de venda operam sem inspeção constante.
Segundo o G1, os acusados — Jorge Negromonte, Isabel Pires e Bruno de Jesus — alegavam que a carne vendida era de porco, mas investigações comprovaram que as vítimas eram pelo menos quatro pessoas desaparecidas. Os corpos foram processados em casa e os produtos distribuídos em feiras locais, onde a ausência de controle sanitário facilitou a ocultação dos crimes. A escala da operação, que durou meses, revelou como redes informais podem se tornar canais para atividades criminosas disfarçadas de comércio legítimo.
Conforme apurou o G1, o caso foi encerrado com condenações por homicídio qualificado e canibalismo, mas deixou um legado de preocupação sobre a segurança alimentar em mercados populares. Em Goiânia, onde feiras livres são parte da rotina de milhares de famílias, a fiscalização é esporádica e depende de denúncias. Muitos vendedores não apresentam documentos de origem da carne, e inspeções sanitárias ocorrem apenas uma vez por mês, segundo dados da Vigilância Sanitária Municipal.
De acordo com G1, casos semelhantes de adulteração de carne ou venda ilegal de produtos de origem duvidosa já foram registrados em outros estados, mas nenhum atingiu a extensão perversa do crime de Garanhuns. No entanto, a lógica por trás do crime — explorar a falta de controle para esconder algo ilegal — é replicável. A ausência de rastreabilidade e a desconfiança do consumidor em relação à origem dos alimentos são problemas sistêmicos, não isolados.
Em Goiás, a situação é delicada: mais de 60% das feiras livres da capital não têm fiscalização diária, e a maioria dos vendedores de carne não é obrigada a exibir certificados de inspeção. Organizações de defesa do consumidor alertam que, sem investimento em tecnologia de rastreamento e treinamento de agentes, o risco de um novo caso extremo — mesmo que não de canibalismo — permanece latente. Para o goianiense que compra carne em feira, a pergunta não é se é seguro, mas se alguém está verificando.
O horror de Garanhuns não é apenas um caso isolado, mas um espelho das falhas estruturais na vigilância de alimentos em mercados populares. Em Goiânia, garantir a segurança desses espaços é uma questão de saúde pública, não apenas de ordem moral.