Mulheres somam 83,8 milhões de eleitoras no Brasil, o equivalente a 52,84% do total, segundo o Tribunal Superior Eleitoral. Mesmo com a maioria nas urnas, a quantidade de candidaturas femininas registrou queda nas eleições de 2024 tanto no cenário nacional quanto em Goiás, revelam dados da Justiça Eleitoral.
A redução ocorre em meio a debates sobre barreiras estruturais que dificultam a entrada e a permanência de mulheres na política, como a distribuição desigual de recursos de campanha e o tempo de propaganda no rádio e na TV. O Tribunal Superior Eleitoral não detalhou, no levantamento mais recente, o percentual exato da queda no estado.
Segundo reportagem do Tribuna do Planalto, a disparidade entre o peso do voto feminino e a presença nas chapas reforça a sub-representação nos legislativos municipais, estaduais e federal. A publicação destaca que a legislação atual exige reserva mínima de 30% de vagas para cada gênero, mas a regra não tem se traduzido em candidaturas competitivas.
Nas últimas três disputas municipais, o número de mulheres eleitas para câmaras de vereadores em Goiás avançou em ritmo lento, enquanto a fatia de cadeiras ocupadas por homens se manteve estável acima de 80%. Especialistas ouvidos pela imprensa nacional apontam que a falta de estrutura partidária para apoiar pré-candidatas é um dos entraves centrais.
Em Goiás, legendas como PT, PSOL e PDT têm adotado critérios internos de paridade na escolha de nomes para chapas proporcionais, além de destinar cotas do fundo partidário para campanhas femininas. A estratégia busca reverter a tendência de queda já na próxima janela eleitoral.
A distância entre a força do eleitorado feminino e a representação nos parlamentos segue como um dos principais desafios para a qualidade da democracia brasileira.