Os principais candidatos ao governo de Mato Grosso do Sul colocaram a preservação do Pantanal no centro de seus programas de governo. Todos reconhecem a gravidade das queimadas recentes e da seca prolongada que atingem o bioma. As propostas convergem na necessidade de regulamentar a Lei do Pantanal e ampliar mecanismos de proteção ambiental.
Segundo reportagem do G1, os planos de governo registrados no Tribunal Regional Eleitoral trazem diagnósticos semelhantes sobre o estado do bioma. A maioria dos candidatos aponta a ausência de regulamentação da Lei do Pantanal, sancionada em 2023, como entrave para a fiscalização efetiva. O documento federal estabelece diretrizes de uso sustentável, mas depende de decreto estadual para entrar em vigor.
As diferenças aparecem nos instrumentos propostos. Alguns defendem a criação de um fundo estadual de compensação ambiental, financiado por royalties do agronegócio, para bancar brigadas de incêndio e monitoramento por satélite. Outros apostam em incentivos fiscais a propriedades que adotarem práticas de manejo integrado do fogo e recuperação de áreas degradadas.
O Pantanal enfrentou em 2024 a maior seca dos últimos 70 anos, com mais de 1,3 milhão de hectares queimados, segundo dados do Ibama. O episódio pressionou o Congresso a aprovar a lei federal e forçou os governos estaduais a revisar protocolos de emergência. A experiência recente moldou as propostas atuais, que tratam prevenção e resposta rápida como eixos indissociáveis.
A gestão do bioma tem reflexo direto no turismo ecológico do Centro-Oeste. Operadores de hospedagem e guias de campo em Corumbá e na região da Nhecolândia relatam queda de reservas após os incêndios de grande porte. A estabilidade das regras ambientais é vista pelo setor como condição para retomar a confiança de visitantes nacionais e internacionais.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis aponta que a fragmentação de propriedades e a expansão de pastagens exóticas ampliam a vulnerabilidade a focos de calor. Candidatos que mencionam zoneamento ecológico-econômico como ferramenta de planejamento territorial ganham respaldo técnico de entidades de pesquisa.
A convergência em torno da regulamentação da Lei do Pantanal sinaliza consenso sobre a urgência da agenda ambiental. O desafio do próximo governo será transformar compromissos de campanha em estrutura permanente de fiscalização e recuperação do bioma.