O governador Ronaldo Caiado afirmou que Goiás não possui registros de ocorrências envolvendo o funkeiro MC Poze nem referências ao rapper Oruam. A declaração foi dada durante entrevista ao Poder360 ao comentar temas de segurança pública e cultura urbana.
Segundo reportagem do Google News Goiás, Caiado fez a menção aos artistas ao defender a política de segurança do estado, sem apresentar dados estatísticos ou fontes que embasassem a ausência de casos. A fala gerou repercussão nas redes sociais, onde internautas questionaram o critério usado para citar nomes específicos do cenário musical.
MC Poze do Rodo, nome artístico de Miguel Ângelo, acumula milhões de ouvintes nas plataformas de streaming e já teve shows cancelados em outras unidades da federação por determinação judicial. Oruam, por sua vez, ganhou projeção nacional nos últimos dois anos com letras que abordam a realidade de comunidades cariocas.
A menção direta a artistas de funk e rap reacende o debate sobre como gestões estaduais lidam com manifestações culturais originárias de periferias. Especialistas em segurança pública ouvidos anteriormente pelo portal apontam que a criminalização de gêneros musicais costuma desviar o foco de problemas estruturais como a falta de investimento em inteligência policial e políticas de prevenção.
Em Goiânia, a cena do funk e do rap movimenta casas de shows, estúdios independentes e eventos de rua que reúnem público jovem nos fins de semana. Produtores locais relatam que a burocracia para licenciamento de eventos de música urbana ainda é maior do que para outros estilos, o que limita a circulação de artistas da capital e do interior.
A fala do governador coloca em evidência a tensão entre discursos de segurança e a expressão cultural nas periferias goianas.