O Brasil, maior produtor mundial de café, enfrenta um paradoxo: as marcas mais populares no país pertencem a empresas estrangeiras, segundo o G1. Em 2023, o país produziu 60,9 milhões de sacas, mas marcas como Pilão e Melitta, controladas por multinacionais, dominam o mercado interno.
Em Goiás, quarto maior produtor nacional, a situação é emblemática. Supermercados em Goiânia vendem predominantemente marcas estrangeiras, apesar do estado ser um grande fornecedor de café, conforme pesquisa local. Isso sugere que o café goiano é exportado como commodity, retornando processado por multinacionais.
A concentração de mercado reflete uma estrutura econômica onde o Brasil exporta café em grão com baixo valor agregado e importa o produto finalizado, perpetuando uma dependência tecnológica e de marca, segundo a Organização Internacional do Café (OIC).
Historicamente, a indústria de café torrado e moído no Brasil passou por fusões e aquisições por grupos internacionais nas décadas de 1990 e 2000. Apenas a 3 Corações, com sede em Minas Gerais, mantém controle nacional entre as líderes de mercado.
Para reverter esse cenário, especialistas sugerem políticas que incentivem o beneficiamento local, permitindo que estados como Goiás desenvolvam marcas próprias, retenham mais riqueza e fortaleçam a identidade do café brasileiro.