O rei do Butão, Jigme Khesar Namgyel Wangchuck, participou da abertura de caminho ao lado de 12 mil voluntários na cidade de Gelephu, preparando área para o novo Aeroporto Internacional BIG. A obra promete mudar a forma de visitação ao reino himalaio, conhecido por política de alto valor e baixo impacto.
O novo Aeroporto Internacional de Gelephu BIG representa o maior avanço na infraestrutura de acesso ao Butão nas últimas décadas. Localizado a cerca de 150 quilômetros da fronteira com a Índia, o projeto prevê capacidade para receber voos regionais que ligam o reino himalaio a outros destinos da Ásia. A estrutura física inclui pista de pouso preparada para aeronaves de médio porte e terminal de passageiros projetado para fluxo controlado.
A iniciativa surge em momento de transição para o Butão, que tradicionalmente limitou o número de visitantes e exigiu alto gasto diário por turista. O modelo de 'alto valor, baixo impacto' permanece como base, mas a nova conexão aérea deve permitir que perfis de viajantes com orçamento mais acessível conheçam o país. Especialistas apontam que o fluxo de turistas deve aumentar gradualmente, sem comprometer as diretrizes ambientais e culturais do reino.
A escolha de Gelephu como ponto de entrada não é aleatória. A cidade já era um importante polo comercial entre Butão e Índia, e o aeroporto deve potencializar o comércio e a troca cultural entre as nações vizinhas. O local estratégico também deve reduzir tempos de deslocamento para quem vem de regiões do nordeste da Índia, historicamente mais próximos de Thimphu, a capital política.
Para o modelo de ecoturismo em crescimento em Goiás, o caso butanês oferece paralelo interessante. O estado tem investido em pousadas de aventura e trilhas sustentáveis, mas ainda lida com sazonalidade e capacidade de recebimento. A experiência butanesa mostra que é possível expandir o acesso mantendo rigorosos controles ambientais — uma lição que pode ser adaptada ao cerrado e às áreas de preservação permanentes do centro-oeste brasileiro.
O novo aeroporto coloca o Butão em rota de crescimento turístico, mas o reino deve manter equilíbrio entre abertura econômica e preservação de suas tradições milenares.