A governadora Celina Leão anunciou em junho de 2024 a transferência de secretarias para o Centro Administrativo do Distrito Federal (CA-DF), rebatizado como 'Centrad', mas a ocupação ainda está travada por pendências legais e técnicas. O complexo, construído com R$ 1,2 bilhão e abandonado por mais de dez anos, segue sob judicialização por dívidas com empreiteiras.
O Centro Administrativo foi inaugurado em 2014 em uma cerimônia improvisada, sem estrutura operacional e sem planejamento para manutenção. Desde então, permaneceu inativo, gerando custos contínuos e sem retorno público. Segundo o Tribunal de Contas do DF, o empreendimento se tornou um dos maiores exemplos de desperdício de recursos públicos na história do Distrito Federal, com mais de R$ 800 milhões em dívidas reconhecidas pela Justiça em ações movidas por empreiteiras como Odebrecht e Andrade Gutierrez.
Conforme apurou o G1, a governadora Celina Leão pretende dar uso ao complexo como parte de sua estratégia de descentralização administrativa, mas a mudança exige laudos de segurança, regularização de contratos e solução de litígios judiciais. Técnicos do governo local afirmam que mesmo a simples ligação de energia e água ainda não está totalmente regularizada, e a estrutura enfrenta problemas estruturais que exigem investimentos adicionais.
O caso do Centrad ecoa em Goiânia, onde o Centro de Convenções Ulysses Guimarães, inaugurado em 2013 com R$ 500 milhões, também sofre com subutilização e altos custos de operação. Ambas as obras foram construídas com foco em eventos simbólicos, sem planejamento de manutenção ou demanda real. Especialistas em gestão pública apontam que a falta de estudos de viabilidade e de modelos de sustentabilidade financeira transforma grandes obras em 'elefantes brancos' — ativos que custam mais para manter do que geram benefícios.
Em Goiás, a reflexão sobre o Centrad e o Centro de Convenções de Goiânia ganha força com a aproximação de eleições, quando novos projetos de infraestrutura são anunciados. A crítica crescente é que, sem políticas de gestão pós-obra, investimentos bilionários se tornam símbolos de falhas administrativas, não de progresso. O caso do DF serve como alerta para que governos locais evitem repetir os mesmos erros.
A luta para dar uso ao Centro Administrativo do DF revela os riscos de priorizar grandiosidade sobre funcionalidade. Para Goiânia, o exemplo é um chamado para repensar a gestão de obras públicas antes que elas se tornem custos eternos da administração.