O rondoniense Antônio Piancó fechou o próprio negócio de comida japonesa após seis anos para integrar as forças de defesa ucranianas. Hoje, ele opera drones e combate na linha de frente sob o codinome Delta, em uma escolha que, segundo ele, nasceu de convicção pessoal e não de interesse econômico.
Natural de Ariquemes, no interior de Rondônia, Piancó administrou um restaurante especializado em culinária japonesa até decidir deixar o país. A transição do comando de cozinha para a operação de equipamentos de vigilância e ataque ocorreu depois de acompanhar o desenrolar da invasão russa pela imprensa internacional.
Em entrevista ao G1, o voluntário relatou que a saída do Brasil não foi planejada com antecedência. Ele vendeu o estabelecimento, organizou a documentação e viajou por conta própria até a Ucrânia, onde passou por treinamento antes de ser designado para unidades que utilizam veículos aéreos não tripulados.
A atuação de brasileiros em conflitos no exterior não é novidade, mas o perfil de Piancó chama atenção: empresário de cidade média, sem histórico militar prévio, que aprendeu a pilotar drones já no teatro de operações. Segundo reportagem do G1, ele integra hoje uma equipe responsável por reconhecimento e neutralização de alvos em setores ativos do leste ucraniano.
O voluntário evita detalhar operações específicas por segurança operacional, mas descreve a rotina como exaustiva e marcada por decisões rápidas. O codinome Delta foi adotado nos primeiros dias de convivência com combatentes de diferentes nacionalidades, que formam grupos de apoio às forças regulares de Kiev.
A história ilustra como civis de diferentes origens têm cruzado fronteiras para participar diretamente de um conflito que completa mais de dois anos, movidos por razões que vão além de incentivos materiais.