Um brasileiro de 35 anos, natural de Goiás, perdeu R$ 340 mil em apostas online entre 2021 e 2023 e, após entrar em crise financeira e psicológica, decidiu deixar o Brasil para se alistar no Exército da Ucrânia. A mudança radical o obrigou a romper com o vício e reconstruir sua vida, segundo relato publicado pelo G1.
Thiago Morais da Silva Moita, que morava no litoral paulista na época das perdas, descreveu a dependência de jogos como uma 'prisão mental'. Ele acumulou dívidas, perdeu relacionamentos e passou a viver em isolamento, até que decidiu buscar uma mudança radical em 2023. O Exército da Ucrânia, que aceita estrangeiros desde o início da guerra em 2022, exigiu apenas condições físicas e idade — requisitos que ele atendia.
Segundo o G1, Thiago afirma que a disciplina militar e o ambiente de risco constante o tiraram do ciclo de autodestruição. A rotina rigorosa, a falta de acesso a plataformas de apostas e a necessidade de foco na sobrevivência foram fatores decisivos para sua recuperação. Ele não retorna ao Brasil por medo de recaída e considera a Ucrânia um lugar onde, paradoxalmente, encontrou liberdade.
Em Goiânia, onde o acesso a plataformas de apostas online cresceu 47% entre 2020 e 2023, conforme dados da Sefaz-GO, o caso de Thiago é um alerta. A cidade, com 1,2 milhão de usuários de internet e alta penetração de apps de jogos, enfrenta um aumento silencioso de casos de dependência. Especialistas apontam que a facilidade de acesso e a falta de regulamentação eficaz agravam o problema, especialmente entre jovens adultos.
Apesar da crescente demanda por tratamento psicológico, políticas públicas específicas para vício em jogos ainda são escassas em Goiás. Centros de apoio são limitados e a maioria dos serviços depende de iniciativas privadas ou ONGs. A ausência de campanhas de prevenção e de canais de ajuda acessíveis torna a situação ainda mais crítica para quem vive na região metropolitana.
O caso de Thiago Morais revela como o vício em apostas online pode levar a decisões extremas, e serve como chamado para que autoridades locais priorizem a saúde mental e a prevenção em uma cidade cada vez mais conectada e vulnerável.