O Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, com 22 milhões de toneladas, mas produz apenas 1% do total global, dominado pela China. Enquanto o país ainda importa esses minerais essenciais para tecnologias limpas, novos projetos de prospecção no Cerrado, especialmente em Goiás, apontam para um potencial de transformação econômica e tecnológica.
Segundo o G1, a Agência Nacional de Mineração (ANM) autorizou 1.987 pedidos de pesquisa de terras raras nos últimos dois anos, impulsionados pela crescente demanda global por componentes de baterias de carros elétricos, smartphones e turbinas eólicas. A exploração no Brasil ainda é incipiente, mas avança com tecnologias de vanguarda, como aeroportos geofísicos que detectam anomalias magnéticas no solo, especialmente em regiões do Cerrado e do Norte do país.
Goiás, com grande parte de seu território coberto pelo Cerrado — um dos principais alvos das prospecções — tem potencial para se tornar um dos principais polos de extração e processamento desses minerais. A presença de universidades como a UFG e institutos de pesquisa em Goiânia oferece oportunidade única para formar mão de obra qualificada e atrair investimentos em tecnologia mineral, algo ainda ausente na cadeia produtiva nacional.
Conforme apurou o G1, a China controla cerca de 70% da produção global de terras raras, o que torna o país vulnerável a pressões geopolíticas e interrupções na cadeia de suprimentos. O Brasil, apesar de sua riqueza mineral, ainda não possui refinarias ou indústrias de transformação desses elementos, limitando-se a exportar o minério bruto — uma lacuna que Goiânia pode ajudar a preencher com investimentos em infraestrutura logística e científica.
Em Goiás, a proximidade entre áreas de prospecção, rodovias estratégicas e a capital, que já atua como centro de logística e inovação do Centro-Oeste, pode criar um ecossistema integrado entre mineração, pesquisa e indústria. Se o governo estadual e municipal investirem em parcerias com universidades e em infraestrutura para tratamento de minérios, Goiânia pode se tornar o hub tecnológico das terras raras no Brasil.
A riqueza mineral do Brasil não basta: é preciso transformá-la em valor agregado. Goiânia, com seu potencial logístico e acadêmico, está em posição única para liderar essa mudança.