O Brasil já recebeu 10 dos 36 caças F-39 Gripen previstos no contrato assinado com a Suécia em 2014. A Força Aérea Brasileira (FAB), no entanto, afirma que as entregas realizadas até o momento não são suficientes para garantir a cobertura completa de vigilância e defesa do espaço aéreo nacional. A informação foi divulgada conforme apurou o Jornal Opção.
O programa de modernização da frota de combate brasileira prevê a fabricação de 36 aeronaves F-39 Gripen, modelo considerado um dos mais avançados do mundo em sua categoria. A produção ocorre em duas frentes: parte das aeronaves é montada na Suécia, e o restante segue de linha na planta da Embraer em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo. Essa divisão é resultado do acordo de cooperação tecnológica firmado entre os dois países, que prevê transferência de tecnologia para a indústria aeronáutica brasileira.
Apesar de representar um salto tecnológico em relação aos antigos caças da FAB, como o AMX e o F-5, a própria Força Aérea reconhece que 36 unidades não preenchem todas as lacunas do sistema de defesa aérea. Segundo o Jornal Opção, a FAB afirmou que a entrega dos F-39 Gripen, mesmo após concluída, não cobre plenamente as necessidades de vigilância e proteção do território brasileiro.
O Brasil possui uma das maiores extensões territoriais do mundo, com fronteiras que somam mais de 16 mil quilômetros e uma vasta região amazônica que demanda monitoramento constante. Especialistas em defesa avaliam que uma frota de 36 aeronaves de combate, por mais modernas que sejam, tem capacidade operacional limitada diante das dimensões do país, o que reforça a necessidade de complementaridade com outros sistemas de radar e vigilância.
Para a região Centro-Oeste, onde se localiza Goiás, a defesa aérea é garantida atualmente por uma rede integrada de radares e aeronaves de interceptação baseadas em estados vizinhos. Embora não haja uma base de caças Gripen prevista para operar diretamente em solo goiano, o reforço da frota nacional amplia a capacidade de resposta rápida da FAB em todo o território, incluindo o espaço aéreo do Centro-Oeste, que engloba rotas aéreas estratégicas e a capital federal.
A entrega parcial dos caças F-39 Gripen marca um avanço importante na modernização da FAB, mas o alerta da própria corporação evidencia que o Brasil ainda precisa ampliar sua capacidade de defesa aérea para garantir cobertura adequada em todo o território nacional.