Pular para o conteúdo
Publicidade
Brasil

Brasil rebaixa relações com Argentina e mantém embaixador em Brasília após ataques de Milei a Lula

Medida inédita na história recente reflete escalada de tensão entre os dois maiores parceiros comerciais da América do Sul; comércio bilateral soma US$ 30 bilhões ao ano

R
Redação Biscoitei
11 de agosto de 2026, 08:30 2 min de leitura
Compartilhar:
🎧
OUÇA ESTA MATÉRIA

O governo brasileiro anunciou nesta segunda-feira (29) o rebaixamento das relações diplomáticas com a Argentina, determinando que o embaixador Julio Bitelli permaneça em Brasília em vez de reassumir o posto em Buenos Aires, segundo o G1. A medida, classificada como "chamada para consultas" em linguagem diplomática, é a resposta formal de Brasília à série de insultos proferidos pelo presidente argentino Javier Milei contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A escalada começou em março, quando Milei chamou Lula de "corrupto" e "comunista" durante entrevista a um canal de televisão argentino, segundo o G1. Em maio, o mandatário argentino recusou-se a pedir desculpas públicas exigidas pelo Itamaraty e, em junho, ausentou-se da cúpula do Mercosul em Assunção, onde Lula o aguardava para reunião bilateral. A gota d'água ocorreu na semana passada, quando Milei reiterou os ataques em evento conservador no Brasil, ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O rebaixamento atinge a principal parceria comercial do Brasil na América do Sul. Em 2023, o intercâmbio bilateral somou US$ 30,1 bilhões, com superávit brasileiro de US$ 5,2 bilhões, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. A Argentina é o terceiro maior destino das exportações brasileiras, atrás apenas de China e Estados Unidos, absorvendo principalmente veículos, máquinas e produtos químicos. Setores como o automotivo — que opera com cadeias integradas transfronteiriças — já sinalizam risco de desabastecimento se a crise se prolongar.

Diplomatas ouvidos pela reportagem afirmam que a medida não rompe relações — o que exigiria retirada de credenciais — mas congela contatos de alto nível. Embaixadores anteriores só eram chamados para consultas em rupturas institucionais, como no golpe paraguaio de 2012. A diferença agora é que o alvo é um chefe de Estado eleito democraticamente, o que torna o precedente delicado para a região.

O Itamaraty informou que canais operacionais — como cooperação fronteiriça, energia e defesa — seguem ativos. A expectativa no meio diplomático é que a Argentina responda com medida espelhada, mantendo seu embaixador em Buenos Aires. Enquanto isso, empresários dos dois países pressionam por solução pragmática: "A política passa, o comércio fica", resume o presidente da Câmara de Comércio Argentino-Brasileira, Mario Grinman.

Compartilhar: