O governo brasileiro negou vistos de entrada a dois funcionários do Departamento de Estado norte-americano que pretendiam vir a Brasília para contestar a integridade das urnas eletrônicas. A medida foi confirmada neste sábado pelo Ministério das Relações Exteriores.
Entre os nomes citados está Riley Barnes, secretário-assistente para o Hemisfério Ocidental. O segundo oficial não teve a identidade completa divulgada. A viagem estava prevista para as semanas que antecedem o primeiro turno de outubro, quando mais de 150 milhões de eleitores vão às urnas.
Segundo reportagem do Tribuna do Planalto, a recusa baseia-se na prerrogativa soberana de controle de fronteiras e na avaliação de que a presença dos enviados configuraria interferência indevida no processo eleitoral interno. O Itamaraty não detalhou os fundamentos jurídicos específicos da negativa.
Especialistas da Universidade Federal de Goiás ouvidos pela reportagem avaliam que o episódio reforça a autonomia das instituições brasileiras na condução do pleito. Para a professora de Direito Eleitoral Maria Clara Ferreira, a decisão sinaliza maturidade democrática ao rejeitar pressões externas sobre sistema auditado por múltiplas entidades nacionais e internacionais.
Em 2022, questionamentos semelhantes vindos do exterior foram rechaçados pelo Tribunal Superior Eleitoral, que apresentou relatórios técnicos e convidou observadores credenciados a acompanhar todas as etapas da votação. A atual negativa de vistos segue a mesma linha de proteger a integridade do processo sem abrir precedentes para ingerência.
O episódio deve pautar as relações bilaterais nas próximas semanas, enquanto o calendário eleitoral avança para as convenções partidárias de agosto.