Empresas e associações brasileiras dos setores de café solúvel, mel e pescado estão em Washington, D.C., tentando evitar novas tarifas propostas pelo governo dos Estados Unidos sob a administração de Donald Trump. A audiência pública na Comissão de Comércio Internacional dos EUA (USITC), realizada em 6 de abril de 2025, busca excluir esses produtos da lista de itens sujeitos a novas alíquotas, que podem afetar exportações brasileiras valuedas em mais de US$ 1,2 bilhão por ano.
As tarifas propostas, ainda em fase de consulta pública, representam risco direto a cadeias produtivas que dependem do mercado norte-americano. O café solúvel brasileiro, principal exportador mundial do produto, o mel de alta qualidade — especialmente do Centro-Oeste — e os pescados cultivados em sistemas sustentáveis são os principais alvos. A Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) apresentou dados mostrando que 70% da produção de café solúvel é destinada aos EUA, e que a imposição de taxas pode levar à perda de mercado para concorrentes como Vietnã e Colômbia.
Segundo o G1, Goiás é o quinto maior produtor de mel do Brasil e tem registrado crescimento constante nas exportações para os Estados Unidos, com pequenos apicultores da região de Goiânia e do norte goiano sendo os principais beneficiados. Além disso, piscicultores do estado, que enviam tilápias e tambaquis via Porto de Santos, também correm risco de perder competitividade caso as tarifas sejam aprovadas. A Associação Goiana de Piscicultores já preparou um relatório técnico para ser entregue às autoridades norte-americanas, destacando a dependência comercial e a natureza não substituível dos produtos goianos.
Conforme apurou o G1, o Brasil já enfrentou tarifas semelhantes em 2025, quando produtos como açúcar e suco de laranja foram afetados, resultando em perdas bilionárias. Dessa vez, os setores envolvidos adotam uma estratégia mais coordenada, com apoio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que reforça a importância de evidências científicas e dados de produção local para justificar exclusões. A estratégia inclui demonstrar que os produtos brasileiros não ameaçam a indústria norte-americana, mas sim complementam sua oferta.
Para o goianiense, o impacto dessas tarifas vai além das estatísticas: pequenos produtores rurais, cooperativas e microempresas que dependem dessas exportações podem enfrentar redução de renda, demissões e até abandono da atividade. A conexão entre o campo goiano e o mercado norte-americano é direta e crescente, e a ausência de exclusões pode reverter anos de investimentos em qualidade e certificação. A audiência em Washington é vista como uma das últimas chances de evitar um retrocesso econômico no interior do Estado.
A decisão final da USITC, esperada para o segundo semestre de 2025, pode definir o futuro de milhares de produtores brasileiros. Para Goiás, onde o mel e o pescado são pilares da agroindústria rural, o resultado da negociação em Washington será determinante para a sustentabilidade de muitas famílias.