O governo brasileiro deu início ao processo de reciprocidade comercial contra as tarifas impostas pelos Estados Unidos, em resposta à decisão da gestão Trump de condicionar a retomada das negociações ao resultado das eleições presidenciais no Brasil. A medida foi anunciada pelo Palácio do Planalto como contrapartida ao que classifica como tarifaço unilateral.
A equipe econômica avalia que a Casa Branca posterga o diálogo para ganhar tempo até o pleito de outubro, o que travou as conversas sobre aço, alumínio e produtos agrícolas. Segundo reportagem do G1, a reciprocidade será aplicada de forma gradual, com lista de itens sujeitos a sobretaxa ainda em definição técnica pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.
O setor produtivo goiano acompanha com atenção: o estado exportou US$ 1,2 bilhão para o mercado americano nos primeiros seis meses do ano, com destaque para carnes, soja e autopeças. Entidades de classe já pedem ao governo federal que preserve cadeias onde o Brasil tem vantagem comparativa, evitando retaliação em produtos de alto valor agregado.
No histórico recente, episódios semelhantes em 2018 e 2022 resultaram em perdas temporárias de competitividade para frigoríficos e tradings do Centro-Oeste. A diferença agora é a proximidade do calendário eleitoral nos dois países, o que reduz a janela para acordo antes de 2027.
Diplomatas brasileiros mantêm canais abertos com o Congresso e o USTR (escritório de comércio dos EUA) para tentar reverter a medida antes da implementação plena. A expectativa no Itamaraty é de que a pressão de parlamentares americanos ligados ao agronegócio force uma negociação ainda este ano.
A reciprocidade expõe a fragilidade do comércio bilateral diante de calendários políticos, colocando exportadores goianos na linha de frente de um embate que ainda não tem data para terminar.