Durante as férias escolares, 24 bibliotecas públicas do Distrito Federal ampliaram seus acervos com videogames, quadrinhos e mangás para estimular a leitura entre jovens. A iniciativa, que combina lazer e cultura, contrasta com a realidade de Goiânia, onde as 12 bibliotecas públicas ainda se baseiam predominantemente em livros físicos tradicionais.
A estratégia do DF tem como objetivo superar a baixa adesão de adolescentes às bibliotecas, que historicamente foram vistas como espaços exclusivos para estudo. Ao incluir itens como consoles e mangás, as unidades como a Biblioteca Pública do Paranoá e a Biblioteca Nacional de Brasília conseguiram aumentar o fluxo de jovens, segundo o G1. A ideia é transformar a biblioteca em um ponto de encontro cultural, não apenas de empréstimo de livros.
O Distrito Federal já lidera o ranking nacional de leitura, com 5,4 livros por pessoa ao ano — acima da média brasileira de 4,9, conforme apurou o G1. A Secretaria de Cultura do DF atribui parte desse resultado às novas abordagens, que rompem com o modelo passivo de biblioteca. A inclusão de mídias digitais e de entretenimento popular tem sido fundamental para engajar públicos que antes evitavam os espaços culturais.
Em Goiânia, as bibliotecas públicas — como a Biblioteca Pública Estadual de Goiás e as unidades da Rede de Bibliotecas da Prefeitura — ainda operam com acervos focados em literatura clássica e didática. Embora ofereçam programas de contação de histórias e leitura em voz alta, não há iniciativas concretas de integração com jogos, quadrinhos ou mangás. A Associação Brasileira de Editores de Quadrinhos (ABEQ) aponta que o consumo de mangás entre jovens brasileiros cresceu 40% nos últimos cinco anos, mas esse público ainda não é atendido por muitas bibliotecas locais.
Especialistas em educação e cultura apontam que a falta de inovação nos acervos pode estar relacionada à limitação orçamentária e à ausência de políticas públicas voltadas para a juventude. Em Goiás, o índice de leitura é de 3,8 livros por pessoa ao ano, abaixo da média nacional. A adoção de modelos como o do DF — com parcerias com editoras de quadrinhos e locadoras de videogames — poderia ser um caminho viável para aumentar o acesso à leitura entre adolescentes goianos.
A experiência do Distrito Federal mostra que a leitura pode se tornar mais atraente quando se alinha aos interesses reais dos jovens. Em Goiânia, adaptar esse modelo pode ser um passo necessário para reverter o baixo índice de leitura e transformar bibliotecas em espaços vivos e contemporâneos.