O Brasil encerrou o primeiro semestre com recorde histórico nas exportações de carne bovina, somando quase US$ 10 bilhões em vendas externas, alta de 33% frente ao mesmo período de 2025. O desempenho, porém, esconde riscos para os próximos meses.
Além das tarifas impostas pelos Estados Unidos, outros parceiros comerciais relevantes têm elevado barreiras sanitárias e técnicas que dificultam o acesso da proteína brasileira. Segundo reportagem do G1, o Ministério da Economia e a Apex-Brasil monitoram o cenário com cautela, pois o segundo semestre costuma concentrar volume maior de embarques.
Goiás, um dos maiores produtores nacionais, tem exposição direta ao comércio exterior do setor. Frigoríficos goianos respondem por fatia significativa dos abates destinados à exportação, e qualquer redução na demanda internacional repercute em receita, emprego e arrecadação no estado.
Dados do IBGE mostram que a cadeia da pecuária movimenta bilhões na economia goiana, com reflexos no transporte, na indústria de insumos e no varejo do interior. Entraves que limitem embarques para China, União Europeia ou Oriente Médio — destinos tradicionais — tiram competitividade do produto brasileiro justamente quando a oferta interna está alta.
Analistas do setor privado ouvidos pela reportagem apontam que a diversificação de mercados, em curso há anos, ainda não compensa plenamente o fechamento de portas em economias grandes. A negociação de acordos bilaterais e a certificação de novas plantas avançam, mas o ritmo é mais lento que a imposição de novas exigências.
O recorde do primeiro semestre prova a força da pecuária brasileira, mas a sustentação desse patamar depende da remoção de entraves que hoje travam embarques já contratados.