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Brasil

Artesanato pantaneiro ganha força com tecnologia; modelo pode inspirar Goiás

Em MS, 120 mulheres indígenas e ribeirinhas comercializam produtos tradicionais por plataformas digitais — modelo que pode ser adaptado em comunidades rurais goianas.

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Redação Biscoitei
03 de julho de 2026, 16:17 2 min de leitura
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Artesanato pantaneiro ganha força com tecnologia; modelo pode inspirar Goiás
Foto: Reprodução/og:image

Em Aquidauana, Mato Grosso do Sul, artesãs indígenas e ribeirinhas estão transformando saberes tradicionais do Pantanal em produtos comercializáveis com apoio de tecnologia digital. O projeto Pantanal Tech, que une design assistido por software e e-commerce, já gerou renda para mais de 120 mulheres, criando um modelo inovador de preservação cultural e inclusão econômica. Em Goiás, comunidades como os Krahô e os produtores da Chapada dos Veadeiros também mantêm práticas artesanais e culinárias ancestrais, abrindo espaço para replicar essa iniciativa.

O Pantanal Tech, iniciado em parceria com a Prefeitura de Aquidauana e o Instituto Socioambiental, capacita as artesãs no uso de ferramentas digitais para registrar, designar e vender peças como cestarias, bordados e artigos em fibra de palmeira. A tecnologia não substitui a tradição, mas amplia seu alcance: produtos antes limitados a feiras locais agora são expostos em plataformas nacionais, com acesso a mercados urbanos e até internacionais.

Segundo o G1, o projeto já gerou aumento de renda média de 150% para as participantes, além de fortalecer a identidade cultural e a autonomia feminina. A combinação de design digital com técnicas manuais tradicionais atrai consumidores conscientes, interessados em produtos autênticos e sustentáveis. A iniciativa também promove a valorização do conhecimento indígena e ribeirinho, que antes era invisível nas cadeias de consumo convencionais.

Em Goiás, comunidades como os Krahô, no norte do estado, produzem bordados com símbolos ancestrais em tecidos naturais, enquanto na Chapada dos Veadeiros, famílias mantêm a tradição de queijos de leite cru, com processos artesanais transmitidos por gerações. Apesar da riqueza cultural, muitos desses produtos ainda são vendidos em feiras locais ou por redes informais, sem estratégia de marketing ou presença digital.

A possibilidade de replicar o modelo do Pantanal Tech em Goiás é viável: instituições como a Secretaria de Cultura do estado e universidades locais já têm experiência em projetos de valorização cultural. A criação de uma feira digital de artesanato goiano, com apoio em plataformas de e-commerce e treinamento em redes sociais, poderia transformar saberes tradicionais em fonte de renda estável, especialmente em regiões rurais com baixo acesso a oportunidades.

Unir tradição cultural e tecnologia digital não é apenas uma estratégia de mercado — é uma forma de garantir a sobrevivência de saberes ancestrais e a autonomia econômica de comunidades vulneráveis. Em Goiás, o caminho já está desenhado: falta apenas a articulação política e o investimento estratégico.

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