Anitta esteve em Belém no fim de semana e mergulhou na cultura paraense como parte da pesquisa para uma nova linha de cosméticos. A artista visitou comunidades tradicionais, experimentou o banho de cheiro e aprendeu os passos do carimbó, ritmo reconhecido como patrimônio cultural do Pará. A imersão incluiu o acompanhamento da colheita e do processamento da menta amazônica, ingrediente central dos produtos que serão lançados durante a turnê.
A programação começou no domingo (18) com a chegada da cantora à capital paraense. Na segunda-feira (19), ela percorreu áreas de cultivo e unidades de beneficiamento onde a menta amazônica é transformada em óleo essencial, matéria-prima da futura linha de beleza. Segundo reportagem do G1, a visita teve como objetivo entender a cadeia produtiva desde o manejo comunitário até a indústria, garantindo rastreabilidade e valorização do conhecimento tradicional.
O roteiro incluiu ainda momentos de troca com mestres da cultura popular. Anitta participou de um banho de cheiro, ritual de purificação com ervas da região, e recebeu aulas de carimbó de grupos locais. A experiência foi registrada em vídeos que mostram a artista dançando ao som de tambores e maracás, cercada por brincantes que mantêm viva a tradição nas periferias de Belém e em ilhas do entorno.
A iniciativa reflete movimento crescente no mercado de beleza de luxo: a aposta em ativos da sociobiodiversidade amazônica com certificação de origem e repartição de benefícios. Grandes marcas nacionais e internacionais já firmam parcerias com cooperativas do Norte para obter insumos como andiroba, copaíba e priprioca, gerando renda para famílias ribeirinhas e quilombolas.
Para o consumidor goianiense atento a sustentabilidade, o caso abre discussão sobre o potencial do Cerrado. O bioma goiano concentra espécies com propriedades cosméticas comprovadas — como pequi, baru e cagaita —, ainda pouco exploradas em escala industrial. A valorização da menta amazônica por uma artista de alcance global pode inspirar cadeias semelhantes no Centro-Oeste, conectando comunidades do Cerrado a laboratórios e marcas de beleza.
A imersão de Anitta no Pará ilustra como cultura popular e biodiversidade podem mover cadeias produtivas de alto valor, abrindo caminho para que outros biomas brasileiros tenham seus insumos reconhecidos no mercado global de beleza.