O Amapá foi classificado, pelo segundo ano seguido, como a unidade da federação com os piores indicadores de violência do Brasil. O diagnóstico consta no Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, que revela um aumento de 347% nos casos de feminicídio no estado ao longo de 2025 — a maior variação positiva registrada entre todos os estados.
Além do avanço brutal nos crimes de gênero, o Amapá ocupa a primeira posição nacional em letalidade policial, indicador que mede mortes decorrentes de intervenção de agentes de segurança. Os números foram compilados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e divulgados em reportagem do G1.
A escalada acende alerta no governo federal, que vê na combinação de violência doméstica extrema e letalidade policial um padrão que exige resposta coordenada entre União e estados. Especialistas ouvidos pelo anuário associam o cenário à fragilidade de redes de proteção a mulheres e à ausência de protocolos rígidos de uso da força.
No Centro-Oeste, Goiás apresenta taxas de feminicídio e letalidade policial inferiores às do Amapá, mas ainda acima da média nacional. Gestores de segurança da região acompanham o caso paraense como referência de como a desarticulação entre polícias, Ministério Público e assistência social pode acelerar a deterioração de indicadores.
O anuário aponta ainda que, enquanto o Amapá concentra a pior performance, a média nacional de feminicídios recuou ligeiramente no mesmo período, o que torna o caso do estado um desvio estatístico que demanda investigação específica sobre causas locais — da dinâmica do crime organizado à capacidade de investigação da polícia judiciária.
O relatório expõe a urgência de políticas integradas que ataquem simultaneamente a violência de gênero e o uso letal da força estatal, sob pena de o padrão se replicar em outras unidades da federação.